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segunda-feira, 21 de março de 2011

Gordura ou gostosura?

Publicado em 20 de março de 2011

Novo índice para medir obesidade usa o tamanho do quadril ou invés do peso para definir se a pessoa é obesa. Segundo o parâmetro proposto, mulheres de quadris fartos deixam de ser boazudas e passam a ser gordas


Já dizia Shakira em sua canção “Hips don't lie”, lançada em 2006, que os quadris não mentem. Em sua música, a cantora colombiana estava falando sobre como as cadeiras podem ser eloquentes no que diz respeito à sensualidade. Aqui no Brasil, a metade masculina da população concorda com Shakira: o quadril feminino é muito sexy e, para a maioria esmagadora deles, quanto maior o popozão, melhor. Já grande parte da mulherada brasileira também acha que o quadril e o bumbum são grandes atrativos do sexo oposto, mas em um tamanho moderado.

Em uma pesquisa publicada no mês de março da revista médica Obesity, uma equipe de pesquisadores liderada pelo fisiologista americano Richard Bergman constatou que, quando o assunto é obesidade, Shakira tinha razão ao dizer que os quadris não mentem. Além disso, ele está com a ala feminina brasileira ao afirmar que nem sempre mais é melhor.

O que Bergman propõe é um novo método para apontar quem está acima ou abaixo do peso ideal que utiliza a estatura e tamanho do quadril. De acordo com seu Índice de Adiposidade Corporal (IAC), quanto maior a circunferência dos quadris, maior a chance do indivíduo estar acima do peso. O novo índice quer substituir o antigo Índice de Massa Corporal (IMC) que mede a obesidade de acordo com a estatura e o peso do indivíduo e vem sendo usado até hoje pela classe médica e por profissionais de saúde há mais de dois séculos. (Veja como calcular o IAC e o IMC em http://www.dmdigital.com.br/index.php?edicao=8534&contpag=1)

O pesquisador afirma que a circunferência do quadril é uma medida indireta para inferir a quantidade total de gordura no corpo. Ele voltou seus olhos para os quadris após submeter dois mil voluntários afrodescendentes e cidadãos de origem mexicana americanos a exames de avaliação da composição corporal, usando feixes de raio-x para determinar a porcentagem de ossos, músculos e gordura. Para ele, um homem de 1,75m de altura seria saudável se tivesse um quadril de até 100cm. Já uma mulher de 1,70 poderia ter uma anca de até 111cm de circunferência.

Já é sabido pela comunidade médica que o lugar onde a gordura se acumula faz com que ela seja mais ou menos perigosa para a saúde e para o coração. Os pesquisadores ainda não sabem explicar porque a localização aumenta ou diminui o risco de doenças cardiovasculares. A mais perigosa é a gordura visceral, a famosa barriga de chopp. Já a que se acumula nos culotes, o terror estético das mulheres, é a menos perigosa. O IAC vem sendo criticado justamente por concentrar suas medidas na região que oferece menor perigo à saúde. Porém, Bergman explicou à revista Época desta semana que a sua “preocupação foi criar um bom parâmetro para estimar a totalidade da gordura corporal” e não determinar a propensão a doenças típicas da obesidade.

Gorda, eu?!

Aqui no país das popuzudas, onde o culto à bunda gera celebridades que tem esta parte do corpo natural ou cirurgicamente avantajadas, o IAC pode fazer que mulheres extremamente bundudas deixem de ser vistas como gostosas e passem a ser consideradas gordas. Aliás, este pensamento já existe, mas sempre foi reprimido pela ditadura do bumbum. Segundo o portal Globo.com, o escritor de novelas Aguinaldo Silva chamou a Mulher Melancia, ex-musa do Créu e menos conhecida como Andressa Soares, de gordinha e muito mais depois que os dois se encontraram nos bastidores das gravações do “Casseta & Planeta” em 2008.

"Gente, que coisa mais pobre e constrangedora é aquela?”, escreveu ele, “tudo o que se tem ali é uma moça gordinha, a um passo de se tornar obesa! E aquele jeito dela de ficar sempre de costas, a mostrar o traseirão pra câmera... Meu Deus, se aquilo é ser sensual, então não resta outro caminho às mulheres todas senão entrar num convento e virar freiras!". Segundo o IAC, o escritor estava errado, pois a Mulher Melancia já seria obesa e precisaria urgentemente passar a comer somente frutas para emagrecer. Com 1,72m de altura e 120cm de quadril, seu IAC é de 35,15%. De acordo com índice antigo que ignora a grande camada de gordura que recheia o quadril da moçoila e salta aos olhos de quem a observa, ela está dentro do peso normal com 68kg e IMC de 22,98. Os quadris, neste caso, não mentem mesmo.

Um outro problema do IMC é considerar pessoas musculosas obesas. Segundo o personal trainer e líder da equipe de musculação da academia Athletics de Goiânia, Thiago Luiz Leal Borges, a grande crítica ao velho índice se baseia no fato de que a fórmula considera apenas a massa corporal total e a estatura. Isso não seria capaz de considerar o componente de massa muscular por exemplo, sendo muito comum a classificação de homens musculosos como pessoas com sobrepeso ou até obesos. O lutador de vale-tudo Vitor Belfort é classificado como obeso pelo IMC, apesar do fato de ser difícil achar alguma gordurinha no meio de tanto músculo. Com 1,84m e pesando 98kg, seu IMC é de 28. Se levar-se em conta o tamanho do seu quadril (98cm), seu IAC de 20% o classifica como pessoa com uma porcentagem de gordura corporal normal.

A importância de se discutir qual o melhor índice a ser usado para se determinar se uma pessoa está obesa ou não é que estes parâmetros são largamente usados pelos profissionais de saúde para orientar quais medidas tomar para melhorar a vida dos obesos. A cirurgia bariátrica, aquela que reduz o estômago em casos de obesidade mórbida, por exemplo, só pode ser feita no Brasil se o paciente, homem ou mulher, estiver com um IMC acima de 40 ou com doenças típicas da obesidade e IMC acima de 35. O IAC, neste caso, seria mais preciso, uma vez que leva as diferenças orgânicas entre homens e mulheres e diferencia a massa muscular da massa de gordura e ossos.

Thiago Luiz afirma que, por ser uma pesquisa recente, o IAC, para ser melhor aplicado, deve ser mais estudado, inclusive em outras etnias, como a das brasileiras que tem o quadril largo, além dos afrodescendente e os cidadãos de origem mexicana americanos do estudo preliminar. O certo é que, se o IAC for mais usado no futuro, nosso conceito de beleza pode mudar. As mulheres brasileiras, não querendo ser chamadas de obesas, certamente vão querer um quadril menor e os homens vão ter que se acostumar com isso. A Mulher Melancia, por exemplo, fez uma lipoaspiração na região do bumbum em 2009, depois que Aguinaldo Silva a chamou de gorda no ano anterior.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Beleza máscula

Publicado em 02 de março de 2011

Por diversas razões, o homem atual tem se tornado cada vez mais vaidoso. Outra boa notícia é que, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, quem se preocupa com a aparência cuida mais da saúde e vice-versa

Quem tem mais de 30 anos deve se recordar da TV Macho, um quadro humorístico do programa TV Pirata, exibido pela Rede Globo entre 1988 e 1992. O esquete parodiava os programas voltados para o público feminino que existem até hoje e exibem entrevistas e dão dicas de culinária e beleza. Em um episódio o anfitrião Zeca Bordoada, interpretado por Guilherme Karan, recebe dicas de beleza de um caubói americano vivido por Marco Nanini. A certa altura da entrevista, o americano diz que, para se ter uma bela pele de macho, o ideal é pegar uma flecha indígena e cavar um sulco profundo no rosto a fim de obter uma garbosa cicatriz. Para os personagens, não bastava que o homem fosse macho, ele tinha que parecer macho, mesmo que machucado.

Assim como a barulhenta revolução sexual feminina dos séculos passados permitiu que as mulheres adotassem comportamentos masculinos e se apropriassem de objetos antes usados apenas por homens, no século XXI, ocorre uma lenta e silenciosa revolução masculina que permite que os homens adotem atitudes e ferramentas femininas sem ter sua sexualidade (muito) questionada. O cirurgião plástico Sérgio Aidar viu o número de pacientes homens quase quadruplicar em seu consultório nos últimos dez anos. Porém, segundo ele, a quantidade de homens que o procuram ainda é baixa em relação às suas pacientes femininas que representam cerca de 85% do total. A principal diferença notada pelo médico está na atitude dos homens que querem sua ajuda.


Charles Stefani M. de Alencar, cirurgião dentista de 29 anos, ostenta as belas tatuagens, um dragão e uma flor de lótus, em um corpo malhado e saudável


“Hoje, o paciente estético masculino está mais à vontade para procurar ajuda de um cirurgião plástico por questão da modernidade e da abertura de pensamentos”, esclarece o médico. Segundo ele, o homem moderno está mais vaidoso e mais liberal. O médico lembra que, no início de sua carreira, lá pela década de 1990, os homens tinham vergonha de ir ao consultório médico de cirurgia plástica por medo de serem confundidos. Agora não. “Hoje, ele chega, fica esperando a vez dele, opera, conta para o amigo dele e o amigo dele vem e faz a mesma cirurgia”, completa Aidar. Ele ainda explica que, antigamente, as coisas eram às escondidas, os poucos que faziam ainda ficavam escondendo, se diziam machos e machos não fazem isso. “Esse machismo está deixando de existir”, finaliza o cirurgião.

Recentemente, o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) publicou um artigo que afirma que quem cuida da aparência tende a dar mais atenção para a saúde e prevenção de doenças. Os homens tem sido notórios por descuidarem de si. Isso tanto é verdade que o Governo Federal gasta muito dinheiro para incentivá-los a procurar ajuda médica quando ficarem doentes e a cuidar mais de seus corpos. Até o Dia Nacional do Homem, estabelecido como 15 de julho, foi criado para, entre outros objetivos, chamar a atenção para a saúde muitas vezes frágil do sexo dito forte. O médico Sérgio Aidar teoriza que o contrário também é verdadeiro e até mais comum: “eles vão para a academia para malhar, para ficar mais saudáveis. Na academia, eles percebem que podem melhorar esteticamente e o que eles não conseguem ali, procuram um cirurgião plástico para melhorar. É uma interação entre saúde e boa aparência”.

Aparência saudável

Thiago Luiz Leal Borges, personal trainer e líder da equipe de musculação de uma academia de classe alta, faz coro com o médico no que diz respeito à essa dobradinha. E o professor enfatiza: “hoje, a realidade do homem moderno é a dedicação a uma boa aparência e, acima de tudo, à qualidade de vida”. Borges afirma que o padrão de estética masculino vai além de ter braços fortes e gozar de abdominais esculpidos. Seus alunos estão realmente se preocupando mais com a saúde, evitando o estresse do dia-a-dia e ostentando um corpo bem trabalhado, com uma ótima aparência.

A musculação e o fisioculturismo são tradicionalmente vistos como atividades de homens vaidosos cujos excessos e uso de anabolizantes se fez notório. Borges afirma que, felizmente, em sua academia, o uso dessas substâncias não é comum, pois os praticantes conhecem os efeitos negativos dessas substâncias e colocam a saúde em primeiro lugar, investindo, não em anabolizantes, mas na boa alimentação e em suplementos alimentares. “Quanto mais conhecimento o aluno tem, mais ele quer se cuidar”, diz Borges. Além disso, seus alunos sempre costumam realizar atividades diferentes da musculação e cuidam mais de seus corpos, visitando médicos e nutricionistas. Eles também procuram ter belos dentes, cuidam mais da pele, fazem depilação e muitos ainda ostentam belas tatuagens.

O cirurgião dentista Charles Stefani M. de Alencar sabe da importância de se ter belos dentes. Ele conta que homens de todas as idades procuram seu consultório para fazer procedimentos estéticos dentários. Mas Alencar não cuida apenas dos próprios dentes. Como sua profissão exige muito de sua coluna, ele é adepto das atividades físicas para seu bem estar. Além da musculação que o ajudou a esculpir um belo corpo, o dentista corre cinco quilômetros na esteira ou no Parque Vaca Brava. Ele acredita que não faz exercícios demais, nem de menos e, além de cuidar da alimentação, cuida do seu visual, mantendo-se barbeado e de cabelo cortado. Há sete anos, ele fez uma tatuagem em homenagem à sua avó que faleceu. O lugar escolhido para o dragão e para a flor de lótus foi o braço esquerdo, pois ali, não somente ele, mas todos podem ver o belo desenho.

Ex-nadador profissional, o também cirurgião dentista Rogério Penna Costa mantém um corpo sarado, aos 26 anos, com exercícios na academia


Seu colega de profissão e de exercícios, Rogério Penna Costa, também ostenta uma tattoo há quatro anos. O ideograma, que fica na parte interna do seu braço esquerdo, é um amuleto que ele carrega no corpo e que significa “destino vitorioso”. Costa pretende fazer uma outra tatuagem que cobrirá parte das costas e das costelas, mas ainda não se decidiu pelo desenho. O dentista se considera um homem vaidoso, mas se acha longe do esteriótipo do metrossexual. Ele afirma que, ao contrário deste que se veste para os outros, ele cuida de sua aparência porque faz bem para o seu ego. Suas atividades físicas começaram aos quatro anos, quando ele começou a fazer natação. Dos seis aos 20, nadou profissionalmente e, aos 21, ele parou com a natação e começou a fazer academia. Ali, ele não se preocupa muito com suas roupas, mas no seu cotidiano, gosta de estar bem vestido. Costa também se mantém barbeado e com o cabelo bem cortado. Além do xampu e do condicionador, o único cosmético que ele usa regularmente é um pós-barba.

Maquiagem masculina

Este é um assunto delicado (não é um trocadilho) principalmente para os machos de plantão que tem medo de usar uma simples pinça para separar a horrível “monocelha”. Há algum tempo, os homens têm se rendido aos tratamentos estéticos como depilação, lipoaspiração, peelings e até tinturas e luzes no cabelo, porém o uso de maquiagem não é tão difundido assim. No entanto, como cada vez mais os homens têm se rendido aos tratamentos cosméticos em clínicas especializadas e em casa, o uso de base e corretivos é um pequeno passo a ser dado em direção de uma aparência melhor.

De olho neste público crescente, o belo ex-modelo e maquiador Thiago Botelho criou o site www.maquiagemmasculina.com. Ele diz que percebeu, no Brasil, a ausência de alguém, do mesmo sexo, que ensinasse um homem a ter cuidados diários com a pele ou a usar maquiagem de forma simples e natural. No site, ele dá dicas de produtos, ensina a cuidar da pele e a evitar as linhas de expressão e ainda explica passo a passo como um homem deve se maquiar. Resta saber se, nos próximos anos, essa moda pega e se o típico machão vai perder o medo de tirar a sobrancelha e vai começar a usar base com filtro solar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

No jogo da sedução, mistério é o que interessa

Publicada em 10 de fevereiro de 2011

Um estudo publicado nos Estados Unidos revela que a mulher se sente mais atraída por um homem quando ela não sabe ao certo se ele gosta dela ou não. Pesquisa revela resultados de 47 estudantes da Universidade de Virginia

Conselhos de amigos e um sem números de livros de auto-ajuda recomendam: ao entrar no jogo do amor, não revele todas as suas cartas logo de cara. Recentemente, esta pérola da sabedoria popular se transformou em um dado científico. Uma pesquisa publicada no início da semana no periódico Psychological Science da “Association for Psychological Science”, às vésperas do Dia dos Namorados americano, revela que uma mulher pode sentir mais atração por um homem quando ela não sabe ao certo se ele gosta dela ou não. Os autores, os estudiosos Erin R. Whitchurch e Timothy D. Wilson da Universidade da Virginia e Daniel T. Gilbert de Harvard, ambas dos Estados Unidos, escreveram que “manter as pessoas no escuro em relação o quanto nós gostamos delas faz com que elas pensem mais sobre nós e aumenta o interesse delas”.

Erin Whitchurch acredita que suas descobertas podem aconselhar homens e mulheres solteiras a entrarem de cabeça no jogo de esconde-esconde amoroso. “Eu sou viciado em revistas e, todo mês, há uma técnica diferente para se conquistar um cara”, diz a estudiosa. “E muitas são contraditorias. Eu só queria descobrir, para mim mesmo, o que a ciencia nos aconselharia”, completa. Segundo sua pesquisa, o conselho científico é: faça-se de difícil. Uma amiga de Whitchurch também atiçou a curiosidade da pesquisadora ao afirmar que, mesmo depois de um anos se encontrando com seu namorado, ela ainda sentia um frio na barriga ao se encontrar com ele. “Eu fiquei intrigada com esta ideia e fiquei imaginando se isto acontecia, mesmo depois de um ano se encontrando, em parte porque os dois nunca tiveram 'aquela conversa', se viam apenas duas ou três vezes por semana e nunca trocaram um 'eu te amo'. “Eu queria descobrir se ela ainda sentia um frio na barriga porque o estatus do seu relacionamento ainda era incerto para ela”, comenta a estudiosa.


Em uma Inglaterra do futuro, vive Evey Hammond (Natalie Portman), que é salva de uma situação de vida ou morte por mascarado conhecido apenas pelo codinome V. Ela acaba se apaixonando por ele


O estudo, que foi conduzido com 47 mulheres estudantes da Universidade de Virginia, leva a uma pergunta: “será que os homens teriam a mesma reação com uma mulher misteriosa?” Whitchurch acredita que sim. “Apesar das pessoas acharem que homens e mulheres vejam atração e relacionamentos por ângulos diferentes, eu não acredito que seus pensamentos mais básicos difiram”, explica ela. Sua pesquisa sugere que a razão para aumentar a atração pelo homem é aumentar o tempo que a mulher gasta pensando nele quando ela não está certa das intenções do seu par. Portanto, se a mulher também fizer a misteriosa, conseguirá o mesmo resultado com o curioso coração masculino.

Muitas outras investigações psicológicas descobriram que quanto mais a pessoa A gosta da pessoa B, mais a pessoa A acha que a pessoa B gosta dela. Os pesquisadores deste estudo não discordam dessas investigações. Eles escreveram: “se quisermos saber o quanto Sarah gosta de Bob, um bom indicador é o quanto ela pensa que Bob gosta dela”. “Mas, e se Sarah não souber o quanto Bob gosta dela?”. Isto pode levar Sarah a passar muito tempo pensando no enigmático Bob e sua atração aumentada à medida que mais pensa nele, respondem os pesquisadores americanos.

Facebook

Às 47 voluntárias do estudo foi dito que a pesquisa era para determinar se o Facebook seria um bom site de relacionamentos amorosos online. Quatro perfis masculinos falsos foram criados e apresentados às voluntárias como homens estudantes de outras duas universidades que viram os perfis delas e de outras 20 mulheres. Então, os rapazes fictícios disseram que “gostaram delas muito”, “gostaram delas normalmente” ou que “gostaram delas muito ou normalmente”. O terceiro grupo que demonstrou ambiguidade em seu sentimentos foi o mais cotado entre as garotas, seguido pelo grupo que gostaram delas muito e, em último lugar, o grupo de caras que gostaram delas apenas normalmente. As mulheres do estudo tomaram suas decisões baseadas em poucas informações sobre os homens, com um nível de detalhes muito parecido com o que acontece todos os dias em sites de encontros online.

Esta pesquisa não contradiz estudos anteriores que afirmam que as mulheres tendem a gostar de homens que demonstram afeição por elas, de acordo com o chamado de principio da reciprocidade. A surpresa foi as mulheres se sentirem mais atraídas pelos homens misteriosos. Isto sugere que esconder o jogo ajuda o homem a ficar na mente feminina, como um enigma que ela quer resolver. Portanto, um conselho para ambos os sexos: para aumentar a atração no outro, não revele de cara seus sentimentos e, mesmo se estiver loucamente apaixonado, pareça dificil de se agradar e seletivo. Outra coisa: nada de sexo no primeiro encontro. Isto mata qualquer mistério e está fora dos livrinhos de sedução passo-a-passo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Diversão colorida

Publicada em 23 de janeiro de 2011

Apesar de não ser um pólo turístico para gays, lésbicas e simpatizantes, Goiânia oferece opções específicas para homossexuais. Aliás a Capital e o Brasil não têm certeza de quantas pessoas formam seu público GLS, pois o Censo não teve em seu questionário qual a orientação sexual dos entrevistados. O último estudo é de 1948

De acordo com o estudo da Câmara de Comércio GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) do Brasil, a fatia do mercado formada pelos componentes da colorida sigla LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) costuma ter uma renda 30% maior do que a dos casais heteros. O estudo também aponta que, além de possuir mais dinheiro, este grupo tão diverso geralmente não tem filhos e a preocupação de construir um patrimônio para deixar aos seus descendentes quase não existe, fazendo com que todos os seus rendimentos sejam gastos em benefício próprio. Dessa forma, a capacidade de consumo dos LGBTs é geralmente maior do que a dos heterossexuais, independente da classe social a que pertençam. Isso quer dizer, por exemplo, que a probabilidade de uma lésbica pedir uma porção de batatas para acompanhar a cerveja em um bar é maior porque ela certamente não precisa usar a grana extra para comprar fraldas.

O jornalista Léo Mendes e diretor-executivo da Associação Goiana de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGLT) afirma que os não-heteros costumam consumir mais lazer e cultura. “Há uma preferência por restaurantes, bares, cinemas e bens semiduráveis, mesmo se forem de classe média ou baixa”, explica. Léo acredita que este público não costuma ir a qualquer lugar por preferir estabelecimentos nos quais se sintam mais à vontade e tenham liberdade de expressar sua homoafetividade. Bares e boates que se intitulam como GLS são lugares onde gays, lésbicas e simpatizantes são bem-vindos e nos quais pessoas do mesmo sexo podem beijar na boca sem causar escândalos, olhos arregalados ou dedos apontados. Já outros estabelecimentos que não se classificam com esta sigla podem acabar virando um ponto de encontro GLS mesmo sem qualquer ação empresarial voltada para este público. Neste locais, a discrição é mais imperativa e, às vezes, um simples andar de mãos dadas pode acabar virando motivo de repressão de seguranças e de freqüentadores heteros.

O Banana Shopping é um estabelecimento que, com o passar dos anos, foi sendo apropriado pelo público GLS por se encontrar instalado em frente à sauna Très Chic que tem como clientes homens homossexuais. Naturalmente, a clientela da sauna passou a passear pela praça de lazer e alimentação do shopping e a porcentagem de freqüentadores primeiro de gays e depois de lésbicas, aumentou gradativamente. Basta dar uma volta pela internet para descobrir que o Banana Shopping já foi palco de discussões e agressões envolvendo os seguranças do shopping e casais gays que ousaram demonstrar algum tipo de afeto em público. Marco Aurélio de Oliveira, coordenador do Ipê Rosa, uma ONG goiana voltada para a defesa dos direitos do público LGBT, afirmou que vários levantes já foram feitos no shopping por causa da repressão dos seguranças e que hoje a relação entre os guardas e o público GLS é de tolerância e respeito, sem perseguição. Apesar da direção do estabelecimento ter dispensado os seguranças mais truculentos, a plaquinha que descreve o “ato obsceno” como um crime federal continua pregada na parede do shopping.

E para elas?

A proprietária da sauna Très Chic, Mariana Brandão de Castro acredita que Goiânia não apresenta muitas opções para eles e quase nenhuma para elas. “A vida noturna goianiense é muito fraca, principalmente para as mulheres, que ficam ainda mais limitadas”, reclama Mariana. Segundo ela, a maior parte das opções GLS é voltada para homens e as lésbicas não possuem muitos locais em que possam se sentir à vontade. O Acapulco Bar é um lugar bastante procurado pelas mulheres que se encaixam na descrição da letra “L” da sigla LGBT. Segundo uma funcionária do bar, o estabelecimento é GLS onde todos são bem-vindos, mas a noite de sexta-feira é dominada por elas. Muitos gays e simpatizantes costumam ir ao bar, mas a maioria concorda em classificar o Acapulco como um lugar mais lésbico.

Se as “Ls” da sigla não têm muitas opções, as “Ts” têm menos ainda. Beth Fernandes, coordenadora geral do Fórum de Transexuais de Goiânia e psicóloga da Secretaria de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira), os points GLS não funcionam muito bem para as travestis e as transexuais. As saunas gays, por exemplo, não admitem a entrada delas. Já nas boates gays, de acordo com Beth, elas não se sentem muito à vontade a não ser quando acontecem festas e eventos criados especialmente para elas. A psicóloga ainda explica que, como a classe média alta não costuma tolerar a presença delas em seus bares e boates, as travestis costumam procurar diversão na periferia da cidade, como no bar Feirão do Chopp, em frente à Estação Cascavel do Eixo Anhangüera. Enquanto nenhum empresário goianiense se arrisca a fazer uma casa noturna voltada para este público ansioso em gastar seus cifrões para se entreter, Beth aposta em promover eventos, festas e feiras voltados para elas. Além disso, desenvolver discussões relacionadas a este público-alvo e aos outros GLS em faculdades de turismo pode abrir os olhos dos futuros profissionais para este mercado faminto por diversão e arte.




Porcentagens

Em uma discussão sobre os points GLS de Goiânia no site de relacionamentos Orkut, o músico Rodrigo Feoli afirmou que os GLS estão em todos os lugares: “Tem gay na sua cidade, (…) tem gay em gueto gay, tem gay em toda igreja, tem gay em todo esporte, (…) tem gay na arte, tem gay na prisão, tem gay no governo, tem gay na escola, (...) tem gay na balada, tem gay no seu trabalho, tem gay na sua família, provavelmente tem gay na sua casa, alguns já tiveram um (uns) na cama e alguns ainda têm. (…) tem gay na internet, tem gay no mundo (e), se existisse outro mundo habitado por gente, lá teria gay também”, escreveu ele. É certo que os homossexuais e não-héteros estão por toda parte, mas ninguém parece saber a quantia exata desta barulhenta parcela da população brasileira.

O coordenador da ONG Ipê Rosa revelou que o poder público e outras organizações não governamentais presumem que de 10 a 12 % da população seja homossexual. O problema é que estes dados foram apurados pelo estudioso americano Alfred Kinsey em 1948. Por mais valiosa e revolucionária que seja sua pesquisa ela está defasada, não inclui travestis e transexuais e não reflete a realidade do Brasil e muito menos de Goiânia. O Censo, que quantifica e qualifica a população brasileira e que é feito a cada dez anos, se esqueceu de perguntar em 2010 qual a orientação sexual dos entrevistados. A única preocupação estatal foi saber, em caso de união estável, se o companheiro seria do mesmo sexo ou não. A pergunta é: como pode o poder público desenvolver políticas sérias de proteção a estes brasileiros se ninguém sabe ao certo quantos deles existem no Brasil?

Bares
Acapulco Bar (GLS) - Avenida Araguaia, nº 879, Setor Central / Fone: 3212-2899
Athena Bar (GLS) - Avenida Tocantins, esquina com Rua 01, Setor Central / Fone: 3223-8366
Bate Papo Bar (Simpatizante) - Rua 3, Centro

Boates e locais de eventos
Bar e Boate Feirão do Chopp - Av. Anhanguera, em frente à Estação Cascavel do Eixo Anhangüera
Diesel Lounge (GLS) - Rua 5, nº 1169, Setor Oeste / Fone: 3215-2307 / Site: www.diselbrasil.com.br
Chácara Sol Nascente (GLS) - Avenida Eurico Viana, nº 4820, Setor das Mansões Goianas / 3210-7664 / 8416-4636 / 9607-3351
El Club (Simpatizante) - Rua 115, nº 1038, Setor Sul / Fone: 3645-4832 / Site: www.elclub.com.br
Metrópolis (Simpatizante) – Avenida 83, nº 372, Setor Sul / email: metropolisretro@gmail.com
The Pub (GLS) - Rua 52, nº 219, Jardim Goiás / Fone: 3281-4308 / Site: www.thepubgyn.com.br
Total Flex (GLS) - Avenida República do Líbano, nº 1.742, Setor Oeste / Fone: 3123-3656

Cinemas pornôs
Cine Santa Maria - Rua 24, 693, Setor Central
Cine Astor - Rua 9, nº 240, Setor Central / Fone: 3223-2639

Parques
Bosque dos Buritis - Avenida Assis Chateaubriand, esquina com Rua 1, Setor Oeste
Parque Vaca Brava - Avenida T-10, Setor Bueno
Parque Mutirama – Avenida Araguaia, em frente ao Parque Mutirama, Setor Central

Saunas
Sauna Très Chic - Rua 21, nº 71, Setor Central / Fone: 3212-0573
Termas Botafogo - Alameda Botafogo, nº 42, Setor Central / Fone: 3941-2062

Shoppings
Banana Shopping – Rua 3, esquina com Avenida Araguaia, Setor Central

Adoeça e faça novos amigos

Publicada em 23 de janeiro de 2011

Ele diz que mora na Terra, mais precisamente em Wasshington, nos Estados Unidos. Seu nome é Hubert Cumberdink, ele viaja para caramba e, para ele, estar em trânsito é a única forma de se sentir conectado a todas as pessoas do planeta. Hubert, que já visitou a maioria dos países do globo, com exceção de grande parte da África, agora está em Goiânia a trabalho. Como um turista radical que não acredita em medicina preventiva, o americano não tem medo de beber a água local, de comer a comida típica ou de namorar as pessoas nativas.

Em relação a sua saúde, Hubert acredita ser muito importante não se vacinar. Segundo ele, ao tentar nos fazer imunes à doenças, acabamos por fortalecer as bactérias e os vírus causadoras de doenças. Suas inúmeras viagens o expõem a um leque de doenças de forma que seu corpo naturalmente constrói as defesas necessárias e, em compensação, Hubert diz ser mais forte que a maioria das pessoas dos países que visita.

“Enquanto os goianienses apenas tem anticorpos inerentes a Goiânia, Eu tenho um exército completo de anticorpos que podem derrotar todas as doenças independente de onde eu esteja”, explica ele. Obviamente, durante suas viagens, Hubert adoece bastante, mas ele se mantém firme a sua convicção que, apesar de fortalecer sua fibra moral, muitas vezes castiga seu corpo com doenças como tuberculose e dengue.

De fato, ficar doente pode ser uma forma de fortalecer os laços com companheiros de viagem e até fazer novos amigos em outros países. Hubert conta que uma vez estava caminhando pela Índia com dois colegas e, durante um pedaço de estrada deserto, se sentiu muito mal por causa de uma diarréia. Por sorte, uma família de fazendeiros locais acolheu o grupo em sua casa e reidratou Hubert com chá. Apesar de se recuperar em quatro dias, os três turistas acabaram por passar duas semanas inteiras com a família indiana.

Graças a um desarranjo intestinal, provavelmente causado por intoxicação alimentar ou água contaminada, hoje Hubert sabe muito mais sobre colheita de milho, consegue assar o pão indiano roti e sabe fazer uma sopa típica da Índia, o dahl. O americano diz que ainda se comunica com a família de fazendeiros e o convite para visitá-lo nos Estados Unidos continua de pé. Hubert ainda diz que “a doença é parte da experiência e, muitas vezes, acaba por levar a uma conexão cheia de significados”, além de fortalecer amizades. Quando perguntado se ele se vacinou antes de vir para o Brasil, Hubert é enfático; “vacinas é para pessoas que tem medo do mundo”. Você concorda?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Insônia digital

Publicado em 22 de novembro de 2010

Estudo realizado com 1,4 mil universitários pela Unicamp-SP comprova que o uso do computador durante a noite prejudica a qualidade do sono


Uma pesquisa realizada pela Unicamp e publicada este mês na revista Arquivos de Neuropsiquiatria avaliou estudantes universitários concluiu que ficar em frente à tela do computador à noite atrapalha na hora de dormir. O estudo descobriu que, a cada 10 pessoas que passavam algumas horas no PC antes de ir para cama, até sete brigavam com o travesseiro. Entre os que usaram o micro das 19h à meia-noite, 73,3% foram classificados como mal-dormidores. A televisão, o grande vilão do sono da era pré-digital, atrapalha menos que o computador: daqueles que assistem TV no mesmo horário, 59,7% foram prejudicados. Outros  fatores como o uso do tabaco e a prática de atividades físicas também foram avaliados.

O interesse em pesquisar a percepção do sono em jovens adultos surgiu a partir de um outro estudo realizado pela pesquisadora e psicóloga Gema Galgani Mesquita no qual ela avaliou os padrões de sono de  adolescentes que frequentavam o ensino médio. O questionário do estudo atual incluiu perguntas como tipo de alimentação, exercícios físicos, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e saída para festas e eventos
noturnos, estas últimas três variantes não faziam parte da pesquisa anterior com os menores de idade. Outros fatores como os hábitos de utilização de computadores e da televisão durante a noite, cochilos durante o dia e situações estressantes também entraram nesta pesquisa. "Eu esperava que o álcool e a balada fossem determinantes para o aumento de maus dormidores, mas foram o computador e o tabaco que mais
alteram o sono dos universitários”, se surpreende Gema.

A psicóloga explica que o principal problema no uso do PC é a luminosidade. Tanto a luz das lâmpadas, quanto da tela do computador, quanto a televisão estimulam os neurônios e desregula a liberação da
melatonina, o hormônio do sono. “Exposto à luminosidade, o organismo não metaboliza o hormônio na forma que precisa para ter um sono reparador”, esclarece a pesquisadora. O computador agrava mais o
problema por exigir do usuário uma atividade mental maior do que assistir passivamente a TV. Enquanto diante do aparelho de televisão o espectador se coloca a uma distância média de três metros da tela e se
senta ou se deita confortavelmente com o controle remoto na mão, diante do computador, o internauta se senta a uma distância de 50 centímetros e interage de forma mais ativa tanto física como
mentalmente.

Portanto a ordem dos nossos pais e avós de desligar a tela do PC ou da TV e ir para a cama não vale mais. Gema diz que o ideal é sair às oito da noite da frente do monitor, pois aí haverá tempo de metabolizar o
hormônio do sono. Já que, para os insones crônicos, assistir televisão antes de dormir também não é bom, uma sugestão do DMRevista é ler um livro à meia luz na sala e ir direto para cama quando bater a vontade
de dormir. Mas não vale usar um ebook, já que, como foi dito antes, a luz de uma tela próxima aos olhos espanta o sono mais do que histórias de terror.

Internautas notívagos

A internet oferece seu conteúdo dia e noite, mas muitos preferem vagar pelos sites durante o período noturno por este ser o único horário disponível para a navegação a lazer. Ficar no PC até de madrugada
afeta mais a qualidade do sono do que ter hábitos ruins. Há uma variabilidade individual da necessidade de sono. Em média, jovens entre 17 e 25 anos precisam dormir sete horas e meia diariamente. Há
pessoas que precisam mais e outras que precisam menos. O alerta da pesquisadora sinaliza que o importante é dormir à noite. Isso porque a fisiologia do sono depende do relógio biológico que se acerta pelo
escuro, período em que o hormônio do sono, a melatonina, é metabolizado.

A autora do estudo ainda afirma que uma boa higiene do sono é fundamental para se dormir melhor. Mas não se trata de tomar banho antes de ir para a cama. Estabelecer horários regulares deitar e
levantar, evitar o uso excessivo do computador durante as noites e manter uma duração do sono adequada a sua faixa etária preservam a saúde na hora de dormir. “Uma organização neste sentido poderia
trazer, não só, melhora na qualidade do sono como na qualidade de vida”, ensina Gema.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Resgate de uma dívida

Publicado em 20 de novembro de 2010

Por Suindara Alexandre
e Humberto Wilson

Oito anos após ser firmada a data que celebra o Dia da Consciência Negra no Brasil, sociedade ainda ignora necessidades reais de um País e uma cultura construída com o suor e o sangue dos escravos e foca implantação de um feriado simbólico que, apesar de merecido, não apaga a desigualdade secular

A data foi proposta pelo poeta, historiador e pesquisador gaúcho negro Oliveira Silveira, em 1971, e apenas recentemente foi tratada com a ótica séria que merecia: hoje é Dia da Consciência Negra. Silveira fazia parte do Grupo Palmares, um dos precursores do movimento negro moderno. Em 1978, a assembleia do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUDR), realizada na Bahia, aprovou o 20 de novembro como dia oficial de celebração da comunidade negra brasileira. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade a decretar o Dia da Consciência Negra como feriado oficial em 1995. Em 2003, foi sancionada uma lei federal que não só incorporou a data no calendário escolar das redes pública e privada, mas tornou obrigatório o ensino sobre a história e a cultura afro-brasileira.
Aos 20 dias do mês de novembro do anos de 1695, Zumbi, o líder mais conhecido do Quilombo dos Palmares, foi assassinado e teve seu corpo exposto em praça pública. A morte do líder revolucionário e a exposição do seu cadáver, ao invés de provocar medo nos quilombolas, apenas atiçou sua revolta e endureceu a resistência do povo negro e seus simpatizantes. Escolher o dia da morte de Zumbi como o Dia da Consciência Negra tinha um objetivo claro: substituir o 13 de maio, dia da Abolição da Escravatura, como data de reflexão sobre o passado, presente e o futuro dos negros brasileiros. Nesta data, 20 de novembro, portanto, não se comemora a liberdade conseguida passivamente, mas uma tomada de consciência do povo negro, seu valor e sua contribuição para o Brasil.
O fim de um sistema abominável teve origens no final do século 19, de forma necessária, porém precária. Em 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que abriu as senzalas e despejou os ex-escravos na rua sem nenhum direito garantido. Naiara Rodrigues Silveira, filha de Oliveira Silveira, afirma que essa data não trouxe nenhuma dignidade para o povo negro. “O 13 de maio representa, para a população negra, um grande engodo”, esclarece ela. Daí a necessidade de se procurar um outro dia que fosse relevante na história do negro brasileiro. Naiara enfatiza que “o Dia da Consciência Negra veio exatamente para marcar uma tomada de consciência de quem nós somos, através do fortalecimento de nosso identidade”. O coordenador da Central Única das Favelas em Goiás – Cufa-GO –, MC Dyskreto, concorda com Naiara. “O dia é importante para a questão da igualdade racial e de gênero, pois se o negro é discriminado, a negra é muito mais. Não é uma data apenas para se criar um feriado, mas para lembrar como nossos antecedentes sofreram no Brasil. Há menos de 100 anos ainda existia escravidão. Isso é algo que devemos sempre pensar, buscar soluções para acabar com a desigualdade”, explica. O rapper revela que há uma certa incoerência no que determina a aplicação ou não de feriados. “É um dia importante e julgo que há feriados religiosos desnecessários, que certamente não abrangem todas as religiões, e esse influenciou diretamente na história do País.”, opina.

Atividades culturais
Muitas entidades, como o Movimento Negro e a Cufa, organizam palestras, eventos educativos e culturais não só no dia 20 de novembro. Algumas promovem a Semana e até o Mês da Consciência Negra. Vários temas são debatidos, como inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, discriminação na polícia e Justiça, identificação de etnias e até moda, beleza e autoestima negras.
Em Goiânia, a Assessoria Especial de Políticas para a Igualdade Racial planejou um mês inteiro de atividades que envolvem esses temas e tem a participação de alunos da rede municipal de ensino. De hoje até sexta-feira da semana que vem, dentro das atividades programadas pela assessoria, acontece a mostra Cinema e Consciência Negra no Cine Goiânia Ouro que fica na Rua 3, esquina com a Rua 9, no Centro. As sessões têm início sempre às 12h30, 15h e 20h e os ingressos custam apenas R$ 1. Serão apresentados filmes e animações que evidenciam uma representação positiva das pessoas negras a fim de quebrar esteriótipos racistas.
Logo mais, às 15 horas, a Cia. Teatral Zumbi dos Palmares promove um ato público político artístico e cultural na Rua 8 e no Teatro Liberdade, no Centro. A tarde conta com apresentações de hip-hop, capoeira, teatro, pagode, além da participação da banda de percussão Visual Ylê. O diretor artístico Paulo Vitória garante que qualquer artista que comparecer e quiser mostrar seu talento terá espaço garantido. Intelectuais, representantes da Cufa-GO darão seu recado e o microfone está aberto a todos.

Ilegalidade
A legislação federal não decreta que o dia de hoje seja feriado, mas muitos municípios possuem leis que fazem isso. Inclusive, a Câmara Legislativa de Goiânia aprovou uma lei que tornou o Dia da Consciencia Negra feriado em abril de 2009. A lei foi aprovada, apesar do veto do então prefeito Iris Rezende. Em novembro do ano passado, o Ministério Público propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). O comércio funcionará normalmente no Dia da Consciência Negra até que seja divulgada uma decisão final. Os tribunais de Justiça gaúcho e do Distrito Federal têm decisões que reconhecem a ilegalidade nos mesmos termos questionados em Goiás.
O problema é que os municípios só podem declarar feriados religiosos ou relativos à fundação das cidades e este dia comemorativo de hoje não preenche nenhum desses requisitos. O promotor de Justiça Eduardo Abdon Moura, que peticionou o Adin, assegura que “não se trata de ir contra a data em si, mas da legalidade da sua aprovação pela câmara”. O tema tem causado polêmica e o feriado é defendido com unhas e dentes por vários vereadores. Analisando essa disputa, pode-se ver que, mais uma vez, os políticos perdem o foco e defendem causas que mais tem a ver com tirar mais um dia de folga do que realmente discutir a ainda forte discriminação e opressão sofridas pelas pessoas negras.

Cinema e Consciência Negra
Quando: de hoje a 26/11, das 12h às 22h
Onde: Cine Goiânia Ouro – Rua 3, esquina com Rua 9 – Centro
Ingressos: R$ 1 por sessão
Informações: (62) 3524-2356 / www.asppir.wordpress.com

Ato Público
Quando: hoje, a partir das 15h
Onde: Teatro Liberdade e Rua 8 – Centro
Ingressos: entrada franca

"Eu vejo a injustiça. Falo como vejo as coisas. A polícia é preconceituosa”
Mano Brown,"
rapper do Racionais MC’s

"Há feriados religiosos desnecessários, que não abrangem todas as religiões, e esse se trata de algo que influencia toda a história do País”
MC Dyskreto,
coordenador da Cufa-GO

"Somente o tempo, a educação e um monte de boas escolas farão o racismo acabar”
 Nat King Cole,
músico norte-americano

"Temos o 1º presidente negro americano. Podem dizer que não teve nada a ver, mas é pedra sobre pedra que essas coisas vão sendo construídas”
Gilberto Gil,
músico

sábado, 6 de novembro de 2010

Diga adeus à bagunça

Publicado em 04 de novembro de 2010

Armário desorganizado? O personal organizer pode ajudar você a colocar em ordem tudo que está fora do lugar

Imagine a cena: você está atrasado para o trabalho e não consegue encontrar seu crachá. Já procurou na pasta de documentos, na mochila da academia, na sala, na cozinha e até no banheiro. Você então começa uma busca detalhada e afobada pelo quarto. Pega as coisas que estão no chão e joga, uma a uma, em cima da cama e nada. Daí, sobra para a cama e o que está em cima dela vai para o chão. No meio do desespero, encontra a fatura do cartão de crédito que venceu ontem e você acabou não pagando por não a ter encontrado. Mas não é isso que você quer: cadê o crachá?

Seu último recurso é procurar em cima da cômoda. Novamente, você joga, um a um, os objetos que estão em cima do móvel no chão. Não encontra o crachá, mas acha algo estranho, marrom, feito de madeira e fixo. Você retira mais alguns trecos de cima de lá e descobre que a coisa estranha que encontrou é o tampo da cômoda que, soterrado pela bagunça, não via há muito tempo. Quanto ao crachá, necas! O jeito é ir trabalhar e levar uma bronca do chefe por não estar usando a identificação obrigatória.

Não é necessário ser um expert em qualquer coisa para saber que, se você se encontra em uma situação parecida com a historinha acima, é preciso tomar uma decisão: se organizar. Felizmente, hoje existem muitos cursos à disposição que ensinam bagunceiros a mudar seus hábitos, além da ajuda de um profissional que organiza sua casa, seu escritório e até sua vida. O nome desse salvador é personal organizer.

Silvana Bessa é uma desses profissionais que dão um jeito na confusão alheia. A denominação que gosta de usar é consultora de organização de residências e escritórios. Dona do site www.organizadoabessa.com.br, ela se mudou de Brasília para Goiânia no início do ano. Apesar de ainda atender muitos clientes no Distrito Federal e dar cursos por lá, Silvana estuda a possibilidade de também ensinar goianienses de-sordeiros a arrumar sua baderna, atender clientes em suas casas, em Goiânia e a abertura de uma loja especializada em acessórios para organização.

Silvana sempre foi alérgica e, por isso, limpeza e ordem são necessárias. Com o tempo, ela foi gostando de deixar tudo arrumado e decorado, fez um curso sobre organização e, há dois anos, dá aulas e atende clientes que precisam de uma mãozinha no quesito arrumação. Segundo o site de Silvana, quanto “mais ordem, mais prazer na vida”. Quando é contratada, a personal organizer pergunta ao cliente o que mais lhe incomoda. Então, ela avalia o espaço, calcula o tempo que levará para organiza-lo e constata se serão preciso acessórios para a casa ou não.

Uma parte importante do trabalho do organizador é incentivar o descarte e o desapego do cliente. “Tem muita coisa que o cliente não usa, mas também não joga fora”, explica ela. Além disso, tirar o excesso inútil abre espaço para guardar o que realmente importa e não acumular mantém a arrumação. Por isso, organizar é um quebra-cabeça que exige método e práticas personalizadas. E não adianta ficar bonitinho se não ficar funcional.

Manutenção

Uma vez que Silvana organiza a casa ou o escritório de um cliente, ele deve se policiar para a bagunça não voltar. Ela diz que, se o cliente não consegue conservar a ordem estabelecida, basta chamá-la para que ela escolha um método de organização que melhor se adapte ao bangunceiro crônico. Até hoje, Silvana ainda não foi chamada de volta, mas ela diz que isso é bastante comum em sua profissão.

O custo, à primeira vista, pode parecer alto: em média R$ 375,00 por dia de arrumação. Já uma consulta pode sair por um preço médio de R$ 200,00. Uma cliente de Silvana achou o preço caro e decidiu resolver sua desorganização sozinha, durante um feriado. No dia seguinte, a consultora recebeu um telefonema da cliente que reclamava de dor nas costas e implorava para que a consultora desse uma jeito na sua bagunça. Silvana, além de ministrar cursos de organização, presta serviços arrumando cozinhas, guarda-roupas e closets, documentos particulares e profissionais, escritórios e clinicas.

cada coisa em seu lugar

Este é o nome de um programa de TV exibido pelo canal fechado “Discovery Home & Health” que ajuda americanos incrivelmente bagunceiros a darem um jeito em suas casas e suas vidas. A desordem mostrada o programa é incrível e o acúmulo de cacarecos extraordinário. Ver famílias norte-americanas que mal conseguem entrar no próprio quarto que se encontra soterrado por roupas sujas e limpas leva a questionar se o que é visto é uma constante naquele tipo de sociedade consumista ou se são apenas exceções. Existem pessoas que guardam presentes sem abri-los e outros que mantém, na pequena sala de jantar, uma gigantesca máquina de refrigerantes da década de 1970 que, ainda por cima, não funciona.

A equipe do programa, chefiada pela comediante e atriz Niecy Nash, ajuda as desorientadas famílias a se livrarem de suas tralhas nas famosas vendas de garagem. Cabe à equipe do programa decidir o que vai e o que fica e o dinheiro arrecadado é usado na reforma e organização da casa. Também é surpreendente ver a resistência dos americanos em abrir mão de suas coisas, mesmo que não as usem. Em cada episódio, é engraçado ver as negociações entre a equipe que quer mais espaço e as famílias que parecem ter uma síndrome de castor e tendem a não jogar nada fora.

Peter Walsh é um organizador pessoal e arrumou a baderna de inúmeras casas no “Chega de bagunça”. Autor do livro “Engordei ou minha roupa encolheu?”, Walsh percebeu uma relação entre o nível de bagunça de uma residência e o excesso de peso de seus moradores. No livro, ele afirma que a casa é um reflexo do que se é e a cozinha um reflexo da forma que a pessoa se alimenta. O organizador diz ter percebido que assim que os baderneiros passavam a ter foco nas vidas que queriam, eles começavam a transformar não só as casas, mas todas as áreas de sua vida, como locais de trabalho, carreiras, relacionamentos e atitudes em relação ao corpo. Walsh acredita que “ao se arrumar a casa e organizar a cozinha, a despensa, as compras e os planos alimentares, se faz escolhas mais claras para uma saúde melhor”.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Túmulos de estimação

Publicado em 02 de novembro de 2010

Cemitério de animais na França, o mais antigo do mundo, oferece lápides dignas aos pets queridos que já partiram

Quando se fala em cemitério de animais, certamente muitas pessoas se lembrarão do filme de terror Cemitério maldito (Pet sematary – 1989), que foi baseado no livro O cemitério (Pet sematary – 1983) de Stephen King. A história mórbida mostra um cemitério de animais que foi construído sobre solo sagrado e que ressuscita, de forma nada agradável, os seres mortos que porventura são enterrados lá. Porém, não sabemos exatamente para onde vão as almas de nossos bichos de estimação ou mesmo se eles, e até mesmo nós, temos alma. Porém, em todo mundo, inclusive em Goiânia, muitos corpos de pets que expiraram têm um destino, sem dúvida, mais digno que o aterro sanitário ou o esgoto.

A história ocidental dos cemitérios de animais começa na França, na primeira metade do século XIX. Devido à crescente preocupação com as condições de vida dos bichos e com os maus tratos dispensados aos cavalos usados como meio de transporte, foi criada a Sociedade Protetora dos Animais francesa (Societe Protectrice des Animaux - SPA). Com o decorrer dos anos, os avanços no que diz respeito à qualidade de vida e aos direitos dos seres não-humanos foram muitos e o amor das pessoas pelos animais só aumentou. Isso levou a questionamentos sobre o tratamento dado aos bichos queridos não só em vida, mas assim que eles morriam. O destino desses cadáveres, na Paris da época, geralmente era o Rio Sena ou fossas das fortificações.

Monumento no cemitério de animais francês ao são bernardo Barry que, durante sua vida, salvou muitas pessoas da neve

Os pets vislumbraram uma possibilidade de enterro e tumbas dignas com a instituição da lei sanitarista francesa de junho de 1898 que ditava que os animais domésticos deveriam ser enterrados “em uma cova, na medida do possível, a cem metros das casas, na qual o corpo seria coberto com uma camada de solo não inferior a um metro de espessura”. Ativistas pelos direitos dos animais, o advogado Georges Harmois e a jornalista feminista Marguerite Durand, então escolheram um lugar a noroeste da capital francesa, em Asnières, e criaram o Cemitério dos Cães de Asnières (Les Cimetière des Chiens d’Asnières), cuja inauguração oficial aconteceu em 15 de junho de 1899.

Cerca de 40 mil animais já foram enterrados até hoje no Cemitério dos Cães. Não existem somente cachorros e gatos nas covas, mas também jazem por lá o leão de estimação da fundadora Marguerite, um macaco, cavalos, coelhos, hamsters, ratos e pássaros, além de peixes que se salvaram de um funeral risível em volta de um vaso sanitário. Como em todo cemitério famoso e visitado por turistas de todo mundo, o Cimetière des Chiens também possui hóspedes ilustres. O mais conhecido, por certo, é o pastor alemão e ator de rádio e de cinema das décadas de 1920 e 1930 Rin Tin Tin (10 de setembro de 1918 – 10 de agosto de 1932).

O cão foi achado, juntamente com sua mãe e quatro irmãos, pelo então cabo das forças americanas Lee Duncan, como sobreviventes em um canil bombardeado em Lorraine, na França, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Com sua irmã Nenete, Rin Tin Tin acompanhou os soldados americanos na guerra para dar sorte e foi para Los Angeles assim que o combate terminou. Na costa Oeste dos EUA ele começou a se apresentar em show de cães, adestrado por Duncan. Depois, o cachorro atuou no cinema e no rádio fazendo efeitos sonoros. Nas ondas sonoras ele se tornou célebre com a série homônima. O cão morreu aos 14 anos e seus descendentes continuaram a estrelar programas e filmes usando o mesmo nome. O Rin Tin Tin original retornou à França e hoje seu corpo se encontra enterrado no Cemitéirio dos Cães sob um belo monumento.

Outra escultura bastante pomposa é a que homenageia o são bernardo suíço Barry (1800 – 1814). Durante sua vida, o cão resgatou cerca de 41 pessoas perdidas na neve. O corpo de Barry não está no cemitério francês, pois figura empalhado no Museu de História Natural de Bern, na Suíça.

Arte funerária animal

As homenagens aos animais que estão enterrados no cemitério são, ao mesmo tempo, inusitadas e enternecedoras. São lápides em miniatura espalhadas por todo o lugar com fotos e nomes dos pequenos amados que já se foram. Mausoléuzinhos e estátuas em tamanho natural de cães e gatos de diversas épocas e estilos figuram lá. Uma esfera de vidro em cima de um túmulo preenchida com as bolas de tênis com as quais o cão em vida costumava brincar é de trazer lágrimas aos olhos dos mais emotivos.
Mais inusitado ainda é perceber que o Cimetière des Chiens não possui apenas animais defuntos. Vez ou outra é possível ver alguns gatos passeando por entre as covas ou tomando sol em cima das tumbas. Nos fundos do local se encontra a Casa dos Gatos, um abrigo mantido por uma organização de proteção aos felinos. O site em inglês Europe for Visitors, que traz uma boa resenha sobre o cemitério de Asières, confidencia que “após passar uma hora ou mais entre os túmulos de animais mortos, é bom fazer contato com criaturas vivas, mesmo que seja uma gato cansado e com o olhar entediado”.

Entre os visitantes turistas do cemitério, uma francesa, que preferiu não dar o nome a nossa reportagem, costumava passar pelos jardins e pelas lápides frequentemente durante o ano de 2006. Ela tinha perdido seu amigo felino há pouco tempo e não quis arrumar outro. Ao ir ao cemitério, ela levava ração para os gatos que moravam lá e acariciava os bichinhos a fim de aplacar um pouco a saudade que sentia de seu companheiro insubstituível.

Cemitério dos
animais em Goiânia
Em 2005, quando a morte levou os cães da veterinária Inês Schroff Machado, a doutora percebeu que não havia um lugar apropriado na cidade reservado exclusivamente ao descanso final dos seus pets. Ela então cedeu uma chácara sua para criar um cemitério de animais em Goiânia. Foi então que surgiu o Cemitério da Dog’s & Cat’s Clínica Veterinária e Pet Shop. Situada no KM 8 da GO-080, na saída para Nerópolis, ele tem hoje apenas cães e gatos enterrados, mas outras espécies de animais domésticos podem ser recebidos pelo cemitério.
O preço dos lotes à disposição dependem do tamanho do bichinho. Animais de pequeno porte podem ter uma cova digna por R$ 255; de médio porte, por R$ 325; e de grande porte, por R$ 420. Os humanos enlutados ainda podem deitar seu querido pet em um caixão e fazer uma lápide que melhor homenageie seu amado animal de estimação. Para informações, ligue 3281-1666.

Le Cimetière des Chiens d’Asnières
Quando: De 16 de março a 15 de outubro: das 10h às 18h / de 16 de outubro a 15 de março: das 10h às 16h
Onde: 4, pont de Clichy - 92600 Asnières-sur-Seine
Quanto: Adultos: 3 euros / Crianças de 6 a 11 anos: 1 euro/ Entrada franca para menores de 6 anos
Informações: www.mairieasnieres.fr / www.europeforvisitors.com

domingo, 10 de outubro de 2010

Bichos de família


Publicado em 09 de Outubro de 2010

 

Animais de estimação são protagonistas de histórias de companheirismo, alegria, disciplina, responsabilidade e diversão. Eles se tornam parte da vida de muita gente e recebem atenção especial, como mimos e produtos exclusivos



Quase todo mundo adora ter um bichinho de estimação em casa. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) descobriu que, atualmente, existem cerca de 25 milhões de cães e 7 milhões de gatos distribuídos pelos lares brasileiros das classes A, B e C. Porém, quem tem um cachorro ou um gato em casa sabe que esse tipo de bichinho, muitas vezes, deixa de ser um simples animal de estimação para se tornar parte da família. Ainda existe pessoas que dispensam tanta atenção ao seu pet que ele acaba fazendo as vezes de filho mesmo quando existem crianças em casa. Assim como a molecada, os animais de estimação não possuem real poder aquisitivo, mas acabam tendo um certo poder de decisão na hora da compra. De nada adianta levar uma ração barata para casa se o seu gato não gosta dela. Seu poodle também saberá se expressar por latidos e granidos se aquele funcionário do pet shop que lhe faz a tosa o trata mal.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfal Pet), o mercado pet no Brasil movimenta cerca de R$ 8 bilhões. Os produtos e serviços disponíveis para deleite dos bichinhos vão além da alimentação e remédios. Para se ter uma ideia dessa variedade, no primeiro semestre deste ano, a cidade de São Paulo recebeu o Pet Fashion Week SP. Criado há mais de cinco anos com edições em Nova York e Tóquio, o PFW, de acordo com o seu site oficial, busca “atender as necessidades e demandas das mais sofisticadas empresas e profissionais da indústria pet e ‘oferece a oportunidade de divulgar’ produtos e inovações nos segmentos de moda, tosa e lifestyle”.

Catarina é um exemplo de consumidora exigente que sabe apreciar as novidades do lifestyle canino. A boxer de sete anos consome uma ração especial para evitar problemas renais. Patrícia Paz Esteves De Vico, guardiã de Catarina e farmacêutica, explica que a cadela só come essa ração porque a irmã Bianca, uma outra boxer branca, faleceu aos dois anos de insuficiência renal. Apesar de passear todos os dias levada de carro a praças e parques, Catarina começou a engordar. Para perder peso, a boxer passou então a frequentar o centro de treinamento Mergulho Canino Amossara do médico veterinário Márcio Silvestre.

Patrícia diz achar o máximo existir spa para cachorro. Todo tratamento dispensado à cadela tem funcionado. Catarina, que costuma passear pela rua com Antônio Carlos De Vico, pai de Patrícia, é bastante conhecida na vizinhança. Famosa, a cachorra já concedeu entrevista a outros jornais e é conhecida pelo nome por muitos vizinhos. Já o nome de Antônio Carlos é menos lembrado e alguns se referem a ele como o “pai da Catarina”.

O veterinário Bruno Farias Grasso é outro pai dedicado. Ele e sua esposa, a também veterinária Lidiana Cândida Piveta, dividem um apartamento com Julie, de 9 anos e sem raça definida (SRD), Cafu, um cofap (dachshund) de 5 anos, Nina, uma xitsu de 4 anos e Ébane, uma fila de 4 meses. Todos são membros de uma grande família? “Com certeza!”, exclama Bruno. Pela manhã, eles costumam passear pela rua e, nos fins de tarde, todos gostam de correr soltos pelo Parque Flamboyant. Quando o casal de veterinários chega em casa depois do trabalho é uma farra. Os mais novos costumam brincar pelo apê, enquanto a Julie descansa em sua caminha. Na hora de dormir, cada cão vai para seu dormitório, porém, ao longo da noite, a cama do casal vai aumentando sua densidade populacional. Pela manhã, Bruno diz acordar todo torto e com dor nas costas. Para sanar problemas de espaço, a família planeja se mudar para uma chácara.

Vínculo Afetivo


Tata tem cerca de 32 anos e, desde 1998, vive na ilegalidade. Este papagaio verdadeiro (um Amazona aestiva) é um animal silvestre que vive como animal doméstico em Goiânia. Antes da instituição da Lei nº 9.605/98, qualquer um poderia possuir um bichinho desses em casa. Porém, depois de 1998, domesticar animais que nascem na natureza se tornou um crime. Mesmo tendo o papagaio antes da lei entrar em vigor, a guardiã de Tata prefere não mostrar o rosto. Se Tata deve ou não ficar com Sara (nome fictício) é um assunto juridicamente polêmico. Em Caxias do Sul, um casal luta para conseguir a posse de um papagaio verdadeiro, também de 32 anos. O casal requer a guarda definitiva do pássaro fundamentando seu pedido no forte vínculo afetivo que eles têm com o animal e sua domesticação. O Ibama o apreendeu, a justiça mandou devolver e o embate está longe de acabar.

Tata chegou às mãos de Sara há 19 anos, estressado, com as asas cortadas para não voar e preso em uma gaiola com cadeado. Com medo de todos, ele se mutilava arrancando as próprias penas. Sara serrou o cadeado e o papagaio passou a viver do lado de fora de sua jaulinha, só entrando lá para comer e beber. À noite, Sara o coloca para dormir em um quarto da casa, ele fecha os olhinhos em cima da gaiola e só os abre no dia seguinte. Sua guardiã cuida bem dele e conta que, quando “cata piolho no lôro”, ele faz uma carinha feliz, repuxando a bochecha. É assim que o Tata sorri. Sara não costuma viajar porque o papagaio só gosta dela e tenta bicar outras pessoas que se aproximam da gaiola. Todo dia, Tata faz ginástica com Sara e recebe massagens nos pés. De manhã, ela o coloca no pé laranjinha para tomar sol. E banho de luz tem que ser na árvore, pois ele, de acordo com Sara, Tata não aguenta sol sem proteção.

Postos de adoção

Adotar é tudo de bom

O cantor Justin Bieber, a convite da ONG americana People for Ethical Treatment of Animals (Peta), estrela uma campanha para incentivar a adoção de animais abandonados. Veja onde adotar e como ajudar ONGs e pessoas que cuidam de animais abandonados em Goiânia.

Grupo Hammã de Proteção Animal - Tem como foco a reabilitação de cães considerados perigosos como pit bulls e rottweilers e ainda cuida de animais doentes ou condenados.
contato@projetohamma.com.br
62 84787673(Meibel)
62 93280317(Meibel)
62 99020652(Jacqueline)
Banco do Brasil
Agência: 3229-8
Conta: 33246-1

Associação Protetora e Amiga dos Animais (Aspaan) - Resgata e cuida de cães, gatos, cavalos e outros animais abandonados na cidade.
contato@aspaan.org.br
Banco HSBC
Agência: 1348
Conta:1283228

 

Pior do que tá, fica

Publicado em 05 de Outubro de 2010


Parece piada, mas Tiririca é o deputado federal mais votado do País nas eleições. Assim como ele, outros famosos pegaram carona nos “votos de protesto”, integrando a lista das candidaturas risíveis



A eleição de Tiririca como deputado federal por São Paulo, com 1.353.820 votos, é uma demonstração de que grande parte dos brasileiros, sendo que todos são obrigados a votar, não leva a eleição a sério. Nem os eleitores, nem os candidatos parecem entender a gravidade da situação. A quantidade de pessoas que pleitearam um cargo tendo como mote da campanha apenas sua fama é tão pertinente quanto a quantidade delas que foi eleita. Tiririca, que ainda por cima é suspeito de ser analfabeto, é apenas a ponta do iceberg de candidaturas risíveis.

Muitos são os nomes que integram a lista de candidatos dignos de piada. Muitos foram eleitos, outros não. O jogador Túlio Maravilha figurou entre os menos votados na lista dos candidatos famosos do site de notícias G1. Ele concorreu à vaga de deputado federal por Goiás, mas só conseguiu 4.526 votos, figurando em 145º lugar no ranking. Atualmente, o atleta do Botafogo-DF também é vereador por Goiânia e tem o projeto Gol Solidário, no qual se compromete a doar cestas básicas para cada gol feito no Campeonato Goiano. Em seu site, ele declara que, “além de matar a fome de gols, ele mata a fome de muita gente”. Deve ter muito necessitado de barriga vazia rezando para que os goleiros goianos comam muitos frangos.

O ex-jogador Romário é outro que parece entender mais de bola do que de política. Durante o anúncio de sua filiação ao PSB, ele cometeu a maior gafe nesse tipo de coletiva: confundiu o nome do seu partido e declarou estar se filiando ao PSDB. Romário se elegeu como deputado federal pelo Rio de Janeiro com 146.859 votos. Seu companheiro de campo Bebeto Tetra também foi eleito pelo Rio de Janeiro com 28.328, mas como deputado estadual. Bem que ele poderia ter pleiteado o cargo federal, assim, teria como bater uma bolinha com Romário na garagem do Congresso Nacional entre uma votação e outra.

Frutas

Atrizes, cantoras, dançarinas e mulheres cujo maior talento é mostrar o corpo também engrossam a lista de famosos candidatos. Miryan Rios começou sua carreira de atriz aos 16 anos. Aos 20 e aos 21, posou nua para duas revistas e, em 2010, foi eleita deputada estadual pelo Rio de Janeiro aos 52 anos, com 22.169 votos. Uma outra onda verde invadiu as urnas e fomos deliciados (ou enojados) pelas candidaturas da Mulher Melão e da Mulher Pera. Porém, os eleitores não compraram essa ideia de frutaria e elas não foram eleitas como deputadas federais pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, respectivamente. Quem também ficou na mercearia foi a funkeira Tati Quebra Barraco, cujo refrão de uma de suas músicas é “60 na mandioca”. Ela fez jus à letra ficando em 405º lugar na eleição para deputada federal no Rio, com 1.052 votos.

Financiar a candidatura de famosos é vantajoso para os partidos, pois o Brasil usa o sistema proporcional para eleger vereadores e deputados. Na prática, isso permite que os votos que o eleitor deu a Tiririca como uma forma de protesto sejam transferidos a outros candidatos da coligação do humorista. Nesta eleição, os votos de Tiririca ajudaram a eleger o delegado Protógenes Queiroz, do PCdoB, como deputado federal por São Paulo, com 94.906 votos, enquanto Vanderlei Macris, de outra coligação, ficou de fora, com 111.53 votos. Agora resta saber quem vai rir por último.

Vitória de Tiririca em SP e desempenho de Marina viram assunto entre tuiteiros

Publicado em 04 de Outubro de 2010

 

Usuários do microblog fazem piadas com eleição de humorista para deputado federal por São Paulo. Candidata do PV à Presidência recebe cumprimentos de jornalista. Serra comemora segundo turno

 

Durante a apuração de votos, não aconteceram embates intensos ou trocas de farpas entre candidatos ou seus simpatizantes e cabos eleitorais entre os usuários do Twitter em Goiás. Os internautas se limitaram a postar resultados parciais das eleições divulgados em tempo real pelo site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fazer uma ou outra piada e ainda declarar suas impressões pessoais sobre os resultados.

Um dos tópicos mais comentados foi a eleição do humorista Tiririca como deputado federal pelo Estado de São Paulo. O artista recebeu mais de 1,2 milhão de votos, mais que o dobro que o segundo colocado conseguiu. A respeito da eleição de Tiririca, o também humorista Marco Luque, do CQC, disparou: “Minha esperança é o Tiririca, ao ganhar, renunciar e dizer: foi uma piada que eu fiz durante a censura... seus otários!” Miriam Leitão, colunista do jornal O Globo, elogiou Marina Silva afirmando que, “com um minuto e meio na televisão, ela mudou a eleição”, apesar de a candidata não ter chegado ao segundo turno ao abocanhar pouco mais de 19% dos votos válidos. Muitos usuários parabenizaram a candidata do PV, enquanto outros faziam piada ao dizer que Marina certamente apoiaria Serra por querer preservar os tucanos. As brincadeiras não ficaram apenas com a ambientalista e o candidato do PSDB. Foi dito no Twitter que a candidata Dilma Rousseff  “já começou o segundo turno com vantagem, pois 31 de outubro é o Dia das Bruxas”.

Sobre as eleições em Goiás, muitos usuários do Twitter demonstraram surpresa por haver segundo turno entre os candidatos Marconi Perillo (PSDB) e Iris Rezende (PMDB). Alguns lamentaram a derrota de Vanderlan Cardoso e arriscaram opinar se ele apoiaria a candidatura de Marconi ou de Iris no segundo turno. Até o fechamento desta matéria, os perfis oficiais no Twitter de Marconi Perillo (@marconiperillo), Vanderlan Cardoso (@22vanderlan) e de Iris Rezende (@irisnaweb) não postaram nenhum comentário a respeito do resultado das eleições.

Nacional

José Serra comentou seu desempenho na apuração de ontem em seu perfil no Twitter. Por voltas das 23 horas, o candidato do PSDB à Presidência comemorou sua passagem para o segundo turno. “Foi-se o primeiro turno. Viva o segundo turno! Muito obrigado a vocês todos pela confiança.”, escreveu o tucano. Serra é um dos políticos mais influentes do microblog e é famoso por debater com seus seguidores durante as madrugadas. Ainda numa postagem de ontem, Serra avisou que daria entrevista numa festa organizada pela campanha.

 

Você conhece seu vizinho?

Publicado em 29 de Setembro de 2010


Relações de amizade, amor e ódio nascem do convívio com aqueles que dividem mesma rua ou prédio. Episódios de cortesia ou intolerância traçam os rumos de relacionamentos duradouros ou longos embates em juízo



Muitos são os motivos que nos levam a ignorar as pessoas que moram ao nosso lado. Valorização da privacidade, falta de tempo e até desconfiança e medo podem levar a nos isolarmos em nossos lares. A alta rotatividade de moradores na vizinhança também estimula as pessoas a não se relacionarem com os semelhantes que residem na porta ao lado. Contudo, nas grandes cidades, onde o medo de reconhecer e ser reconhecido impera, pode-se encontrar histórias de pessoas que criam fortes laços de amizade que superam os muros de concreto e as barreiras do individualismo.

Há quatro anos, Natanael Gonçalves Dias, operador de telemarketing, varria seu quintal quando ouviu uma voz o chamando. Ele olhou para cima e viu que a pessoa que o gritava era uma garota na janela do segundo andar do prédio vizinho a sua casa. Ela se apresentou e o convidou para fazer algumas fotos com ela, só por diversão. Natanael topou e, assim, nasceu uma sólida amizade que nem a distância conseguiu dissolver. O operador de telemarketing se considera individualista e não é amigo de outros vizinhos. Somente o chamado da garota do prédio ao lado conseguiu amolecer seu coração. Mesmo quando ela passou um ano inteiro no exterior, Natanael continuou se encontrado com ela virtualmente, através do Messenger, um programa de mensagens instantâneas via internet.

Adriana Nascimento, engenheira da computação e professora de inglês, sempre ouvia, em seu apartamento que fica no Centro de Goiânia, uma voz que se destacava nas conversas da casa vizinha. Curiosa, certo dia, resolveu conhecer o dono daquela voz. Ela foi até a janela de seu quarto e chamou a atenção o garoto que varria o quintal. Fez um pedido inusitado: convidou o rapaz para tirar fotos à toa, como um passatempo. Ele aceitou o convite e é amigo de Adriana há quatro anos. Antes de ir para a Inglaterra, há um ano, Adriana e o rapaz saíam juntos, iam a boates e se encontravam pelo menos uma vez por semana para tomar um café e comer um bolo. Hoje, de volta do exterior, Adriana está grávida e, por enquanto, não vai a boates, mas os dois mantêm o bolo, o café e a conversa acrescidos de um filminho no DVD e muita navegação conjunta pela internet.

Ao contrário de Natanael, Adriana tem outros amigos que são seus vizinhos. Enquanto estava no exterior, ela não fez amizade na vizinhança. Não porque não queria, mas porque os ingleses são mais reservados que os brasileiros. “Na Inglaterra, não existe esse tipo de contato. Não é igual aqui, onde o vizinho pega uma açúcar ou um bombril”, explica ela. Ela também diz que os ingleses não passam do bom dia, da boa tarde ou da boa noite. Em seu prédio, no Brasil, Adriana tem os dois tipos de vizinho: os que trocam xícaras de açúcar e os que só se cumprimentam nos corredores.

Samira Elias Attux de Castro, doceira profissional, é do tipo de vizinha que gosta de dar bom dia e nada mais. Ela mora há 14 anos no Jardim América, sabe o nome de algumas pessoas que moram nos arredores de sua casa, mas nunca lhes fez uma visita. Ela diz que, quando morava em outro lugar, teve vizinho folgado que pedia copinho de café a qualquer hora do dia. A doceira também já foi vítima de fofoca e picuinha de vizinhos. Uma outra vizinha que não tinha telefone e sempre usava o seu chegou a entrar no apartamento da doceira sem permissão, acordá-la e perguntar se poderia fazer uma ligação. Ao se mudar para o Jardim América, Samira decidiu trancar sua casa. “A vida é muito melhor sem vizinho batendo na porta a qualquer hora”, conclui.

Da indiferença ao conflito

A porta do apartamento da advogada Graça Pinto Coelho vive trancada por motivos de segurança. Porém, se é um vizinho que aparece no olho mágico, a porta é aberta imediatamente. Graça adora ser amiga de seus companheiros de corredor porque, segundo ela, são as pessoas mais próximas depois da família.
A advogada diz que este tipo de amizade pode até passar dos pais para os filhos. Graça conta a história de laços de amizade entre sua família e outra que morava na casa vizinha. As famílias ficaram amigas há 18 anos, em Pires do Rio, mas o relacionamento resistiu às mudanças de cidades e continua aqui na Capital. Os maridos já se foram, mas as esposas continuam a firme relação e seus filhos, hoje, são amigos íntimos.
Mas nem tudo são flores. Em sua profissão, a advogada já atendeu uma cliente vítima de calúnias de uma vizinha. Durante a audiência, a acusada da calúnia chegou a levar um vidro cheio de carrapatos que alegou terem vindo do canil da sua cliente. Outro caso citado por Graça é um que envolve vizinhos e uma obra. As partes não concordam com a distância entre a nova construção e o muro e o embate acabou em juízo.

Graça não se considera brigona, porém já entrou em conflito com um vizinho. Ela conta que cuidava dos gatos dos telhados, os alimentava, vacinava e castrava. O dono da casa ao lado, porém, não gostava dos gatos e envenenou nove deles. A advogada subiu no te-lhado, recolheu os corpos, chorou e chamou a polícia. O caso, hoje, está nas mãos do Ministério Público, mas, passados muitos meses, nada aconteceu.
Graça diz que sempre tenta um acordo antes de levar os casos à justiça, pois acredita que esta é a melhor forma de resolver desentendimentos entre vizinhos que, assim como as famílias, são núcleos sociais importantes.  No entanto, no caso dos gatos do telhado, a advogada prefere não falar com o vizinho.

Nem sempre te amei

A corretora Carina Fagundes se casou em outubro do ano passado com seu antigo vizinho, o veterinário Gustavo Nepomuceno. Quando o conheceu, por volta dos quatro ou cinco anos de idade, eram vizinhos de muro. No começo, eles não se entendiam muito bem e as brigas infantis eram constantes. Para piorar, a “peste do vizinho” e futuro marido de Carina batia nos cães dela, roubava cacau do seu quintal e ainda atirava feijões pela janela.

Com o passar dos anos, as peraltices de criança terminaram e os dois se tornaram amigos, mas só começaram a namorar depois que ela se mudou da vizinhança, aos 13 anos. Os dois possuíam amigos em comum e mantiveram a amizade mesmo depois de Carina ter se mudado. Mais tarde, a amizade se transformou em amor e Carina e Gustavo engajaram um namoro de 10,5 anos que culminou com o casamento. “Ainda bem que o conheci como meu vizinho”, comemora Carina.

Quem mora ao lado
Na TV: Chaves - seriado da década de 1970 exibido diariamente pelo SBT mostra conflitos e amizades dos moradores de uma vila mexicana
No cinema: A guerra dos vizinhos - primeiro filme do diretor Rubens Xavier descreve a vida de duas famílias que vivem brigando em um fictício bairro de classe média baixa em São Paulo
Na livraria: Meu vizinho é um psicopata - livro da americana Martha Stout quer alertar as pessoas de bem contra o vizinho que age contra o bem comum e ensina a lidar com a situação
Na internet: www.sindiconet.com.br – site dedicado aos síndicos profissionais que pode ajudar os moradores a entender melhor o condomínio onde vivem