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quarta-feira, 16 de março de 2011

Homenagem à feminilidade goiana

Publicado em 16 de março de 2011

Festa prestigia as 30 mulheres de destaque no Estado na realização de projetos variados e traz como tema beleza e encantos do cerrado goiano

Como parte das comemorações do Dia Internacional da Mulher, 30 mulheres que se destacaram no Estado de Goiás com realização de diversos projetos são homenageadas hoje na loja Saccaro da Avenida 136, no Setor Marista. A festa exclusiva para convidados tem como tema as belezas e as tradições do cerrado goiano e presta homenagem à Cidade de Goiás com seus encantos, doces e mulheres que transpiram arte. À frente do evento estão Adriana Lira, Cyda Monteiro e Ednara Braga. O buffet fica à cargo dos chefs Cris Isaac, Aluysio Godinho e da Dona Doceira e a decoração de Valéria Junqueira usa flores e elementos do cerrado.
Entre as exposições, os convidados podem conferir os bordados em aventais, almofadas e roupas da artista plástica Milena Curado que trabalha em parceria com reeducandas do sistema prisional feminino, porcelanas pintadas por Regina Rocha Lima  que tem como tema o casario de Goiás e bonequinhas de Cora Coralina e Maria Grampinho, confeccionadas por Dona Belinha.



O doce Flor de Coco foi criado por Alice Velasco na década de 1940 na Cidade de Goiás. A receita foi resgatada pela empresa Dona Doceira


A noite começa com uma performance de Aluysio Godinho que encena a Alvorada do Bolo de Arroz que acontecia diariamente na cidade de Goiás e declama o Poema do Milho de Cora Coralina. Entre as homenageadas, estão Alice Velasco, que criou o doce flor de côco na década de 1940, a primeira dama do Estado, Valéria Perillo, A ex-primeira dama Geralda Albernaz, a Secretária de Estado, Gláucia Teodoro Reis a médica Rose Crossara e a empresária Ângela de Castro. A escritora Nice Monteiro Daher recebe uma homenagem póstuma.

A solenidade também serve de palco para o lançamento da Dona Doceira, uma empresa que tem como proposta o resgate das receitas de doces e das doceiras do Estado. Além de atuar em Goiânia fornecendo doces típicos goianos de maneira exclusiva, a empresa montou a Associação das Doceiras de Goiás na antiga capital do Estado.

Um vídeo que foi produzido no último Festival Gastronômico da Cidade de Goiás e que pode ser baixado da internet no link www.sendspace.com/file/4ihj6r explica porque as doceiras estão deixando de fazer os doces típicos do cerrado. O trailler de dez minutos ainda serve para captar recursos para a produção de um documentário sobre o tema.

Renovação artística

Publicado em 16 de março de 2011

A cidade de Matrinchã, que fica a 240 km de Goiânia e é berço cultural do artista plástico Cristiano Martins, recebe a primeira exposição após uma repentina renovação de estilo do pintor. As novas obras estão expostas no Centro Cultural da cidade a partir desta sexta-feira. A partir do dia 24, quarta-feira, suas telas vêm para a capital e ficam à disposição do público na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, na Alameda dos Buritis.

Durante seus primeiros nove anos de carreira, Martins trabalhou com uma temática mais popular para poder comercializar suas obras. “Algumas pessoas não compram uma tela como uma obra de arte, mas sim para enfeitar a casa, por isso procuram imagens mais comuns, nesses momentos retrato a natureza e sua diversidade”, justifica o artista.

Após mudança do estilo artístico,Cristiano Martins cogita a possibilidade de mudar seu nome para Victor Stradivários


Recentemente, Martins começou mudar o seu estilo depois que conseguiu um patrocinador oficial. “Com esse apoio, eu ganho tempo pra fazer as obras sem ter que me preocupar com um prazo de entrega e meu trabalho ganha um estilo próprio, pois posso abusar da criatividade fazendo o que realmente gosto e não o que me foi imposto”, comemora ele.

O artista está ansioso para saber qual será a aceitação do público em relação ao novo estilo. Segundo ele, como sua última exposição foi muito comentada, a expectativa é de que as pessoas estejam bastante curiosas para saber como é sua nova coleção.

Além da repentina mudança no estilo das obras, Cristiano cogita com sua empresária a possibilidade da troca do nome. Ele deseja assumir um nome artístico, uma alcunha diferente, e confidenciou que, se isso vier a acontecer, passará a se chamar Victor Stradivários.

Martins pinta desde os 12 anos de idade, coleciona exposições de sucesso em Goiânia e já esteve no programa “Mais Você” da apresentadora Ana Maria Braga, na Rede Globo. Ele ainda deseja expor seu trabalho em Amsterdã, na Holanda, Paris, na França e em outros lugares famosos da Europa. Para ele, o apoio dos amigos e familiares é essencial. O jornalista e editor geral do Diário da Manhã, Batista Custódio, é lembrado com carinho pelo pintor: “Seu Batista é o cara, sempre que precisei ele esteve pronto, ele não me estendeu a mão, me estendeu os braços”, ressalta Martins. Outro apoiador é o Espaço Renascer Saúde, no Jardim América, que se transformou em cenário permanente de exposição do artista.

Exposições de Cristiano Martins

Quando: Sexta-feira, a partir das 20h
Onde: Centro Cultural de Matrinchã, Matrinchã / GO
Quando: De 22/03 a 24/03
Onde: Assembleia Legislativa do Estado de Goiás - Palácio Alfredo Nasser - Alameda dos Buritis, nº 231, Setor Oeste, Goiânia / GO
Informações: 3221-3000 (Assembléia Legislativa) / 3274-1308 (Espaço Renascer Saúde)

domingo, 10 de outubro de 2010

Urbanismo e artes plásticas

Publicado em 02 de Outubro de 2010


Pranchas de skate se transformam em obras que evidenciam a polivalência dos objetos, das cidades e das pessoas



A exposição Polivalente, do artista plástico  goiano Marcelo Peralta, encerrou-se ontem. A exibição, realizada pelo Museu de Arte de Goiânia (MAG), trouxe diversas obras do artista em suportes tradicionais e em outros inusitados, como uma prancha de madeira usada em resgates e skates. O uso de técnicas variadas de pintura e desenho mostram a polivalência de Peralta para explorar temas que pretendem, nas palavras dele, “questionar, investigar e expor as peculiaridades de nosso modo de vida urbano”.

Em seu trabalho como arquiteto e urbanista, o artista plástico afirma que trabalha com o conceito de espaços polivalentes. Já dentro de sua pesquisa, o arquiteto diz ter expandido este conceito para indivíduos multifuncionais e para a relação das pessoas com seu ambiente. “Até mesmo animais se tornam polivalentes, como o pombo que mora nas brechas das fachadas”, explica.

Marcelo Peralta é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC). Ele afirma que esta área surgiu na adolescência mais como uma opção de carreira profissional. Já as artes plásticas sempre estiveram presentes na vida dele desde suas primeiras lembranças. Durante sua graduação e nos primeiros anos de atuação, ele se dedicou exclusivamente à profissão de arquiteto e urbanista, porém, tendo as artes plásticas nas veias, ele acabou trabalhando com sinalização, identidade corporativa, ilustrações e painéis – áreas muito próximas da arte. Assim, Peralta leva a arquitetura e o urbanismo lado a lado com as artes plásticas.

Entrevista - Marcelo Peralta

DMRevista: Como você descreve seu trabalho?
Marcelo Peralta: Trata-se de uma investigação do cotidiano coletivo. Por ser formado em Arquitetura e Urbanismo, vivi muito tempo sobre o regime do espaço construído. Hoje, procuro me desligar desse domínio e focar no fato de que a cidade não é fruto de sua constituição física, mas mero produto de nossa cultura, consequência de nossas relações sociais. O espaço físico é mero suporte para o poder de apropriação da população, é como a tela para o artista.

DMR: Quais técnicas e suportes você usa?
MP: Trabalho com suportes mais clássicos como papel e tela, mas não me prendo a eles, muitas vezes crio minhas pinturas sobre objetos, como forma de destacar suas peculiaridades, criar uma simbiose de produto e arte. Acho que isso destaca nuances tanto no meu trabalho como no produto no qual faço a intervenção. Quanto à técnica, procuro não me prender a nenhuma, tento manter a espontaneidade, acho que a vida já possui muitos condicionantes e me prender a um mesmo processo ou técnica de criação para tudo é apenas a criação de mais um condicionante, isso não traz nenhuma vantagem.

DMR: O suporte influencia o tema escolhido?
MP: Os suportes tradicionais como papel ou tela são peças neutras, passivas a intervenção do artista, não comunicam nada por si só. Quando trabalho sobre um objeto, ele, por si só, já expressa um uso, uma intenção, o que faz de meu trabalho um diálogo entre meu trabalho e aquele objeto. Dessa sinergia nascem resultados mais dinâmicos. Quando começo uma pintura sou levado a caminhos imprevisíveis, é quase como uma negociação entre duas partes opostas, na qual ambos precisam ceder para entrar em acordo. Ou as vezes entram em choque e o que fica registrado é essa tensão.

DMR: O realismo ainda tem espaço nas artes plásticas?
MP: A pergunta é outra: o realisto ainda tem espaço nas pessoas? Acho que nossa sociedade é muito eficiente em produzir lixo, descartar o velho e comprar o novo. Aquilo que não queremos deixa de existir, portanto, tudo aquilo que existe o faz porque ainda atende a uma necessidade. Enquanto tivermos uso para o realismo, ele continuará tendo espaço na nossa vida, nas artes plásticas deixo aos críticos a pergunta.

DMR: Você tem alguma influência das HQs?
MP: HQs são minha principal influência. Antes mesmo de aprender a ler, eu já colecionava gibis. Meus pais me colocavam no colo e liam os balões para mim. Era uma experiência hipnótica. Vejo nos quadrinhos um meio de expressão muito rico e ainda com muito potencial a ser explorado.

DMR: Você gosta da forma que Goiânia foi planejada e estruturada ao longo dos anos?
MP: Em todas as cidades, o que se vê é fruto do trabalho de todos. Mesmo sendo uma cidade projetada, ela depende de tantos processos sociais diferentes pra ser implantada e ocupada que a autoria não existe. Goiânia não e fruto de seu projeto, é fruto de sua apropriação. Somos nós, moradores, os grandes criadores ou, se preferir, interventores de seu planejamento inicial. Por esse ponto de vista, não olho para nossa cidade buscando gostar ou não. Acho que a cidade é espelho dos cidadãos, portanto não cabe a crítica, apenas a autocrítica.

DMR: Você já falou da pintura Sagrado Coração de Maria e de como ela suscita uma discussão a respeito dos conflitos entre o carro e o transporte coletivo e entre o individualismo e o coletivismo. O que deve ser feito pelo trânsito de Goiânia para que ele não fique como o de São Paulo? O metrô de Goiânia ainda é um sonho distante?
MP: Acho que cidades como São Paulo nunca conseguirão resolver por completo seus problemas de trânsito. Existe um limite pra tudo e mega cidades que possuem vários milhões de habitantes claramente passaram do limite sustentável. Não serão obras faraônicas de transporte coletivo que resolveram o problema. Falei sobre o individualismo contra o coletivismo por que esse é o ponto crucial. Precisamos promover obras faraônicas na nossa mentalidade. A cidade é fruto das nossas relações sociais então, ao invés de interferimos na cidade que é meramente consequência de nosso comportamento, devemos interferir na maneira com que nos relacionamos em sociedade. Se melhorarmos a maneira de vivermos juntos estaremos solucionando a causa do problema e a cidade passará a refletir essa melhora. O recém-criado Instituto Cidades, em sua palestra de inauguração, destacou muito bem isso. Seja Metrô ou Transporte Rápido sobre Rodas (ônibus expressos em vias exclusivas), o mais importante é que a população assimile a ideia. O empreendedorismo e os investimentos em estrutura são fundamentais, mas necessitam do apoio da população e isso não virá sem uma mudança de mentalidade. Enquanto as pessoas preferirem possuir um carro ou uma moto, a quantidade de veículos individuais na cidade continuará aumentando.

DMR: Quais são seus próximos projetos nas artes plásticas?
MP: Quem visitou a exposição (Polivalente) percebeu que essa investigação está longe de esgotar as possibilidades. Na verdade, isso nem mesmo é possível. Meu processo de investigação continua avançando, mas pretendo expandir a exposição de meu trabalho além dos limites da cidade. Acho que apesar de retratar nossa região, a universalidade do tema pede isso.

Natural e imaginário em destaque

Publicado em 09 de Setembro de 2010

 

Museu de Arte de Goiânia abre hoje duas novas exposições: Viagens, de Cristina Ferrari, e Reveolhar, de Edney Antunes

 

O Museu de Arte de Goiânia (MAG) abre hoje, às 20 horas, as exposições Viagens, com aquarelas de Cristina Ferrari, e Reveolhar, com instalações de Edney Antunes, em duas salas do Museu de Arte de Goiânia, no Bosque dos Buritis. Os artistas utilizam técnicas diferentes para abordar temas polêmicos, como a intervenção humana na natureza e a exclusão social dos marginalizados. As obras ficam expostas até o próximo dia 3.

Cristina Ferrari, em sua exposição Viagens, apresenta 30 aquarelas inéditas que retratam paisagens do cerrado brasileiro, produzidas ainda este ano. As telas representam matas virgens cuja ação humana se faz presente através de detalhes sutis, como cercas e pedaços de estradas. As aquarelas delicadas e realistas registram a biodiversidade botânica e ainda levantam a bandeira atual das questões do ambientalismo e da defesa do patrimônio floral brasileiro.

Cristina, natural de Sorocaba (SP), mudou-se para Rio Verde em 1983 e, há quatro anos, vive em Goiânia. A artista já exibiu seus trabalhos em exposições e salões de arte em diversos Estados brasileiros e no exterior. Atualmente, ela se dedica a pintar paisagens goianas.

Retrospectiva

Enquanto a exposição de aquarelas é de obras inéditas, o artista plástico Edney Antunes faz um levantamento das instalações que fez de 1995 a 2010. Segundo o artista, a mostra Reveolhar é uma oportunidade de expor o conjunto de suas obras através de um balanço de sua trajetória com instalações. A exposição é composta por 13 obras, com trabalhos premiados e inéditos.

Nesta nova etapa de sua trajetória influenciada pela pop art, Antunes recolhia materiais na rua e os associava livremente para composição de suas peças. O artista sempre quis transcender o regionalismo, apesar de sua forte tendência na arte goiana. Assim, ele produziu e ainda produz instalações que alcançam uma linguagem internacional, conectada a questões que transcendem a geografia.

A temática da obra de Edney Antunes varia entre suas angústias pessoais, arte, cultura e política. Tudo sempre visto por um ângulo autointerrogativo e autoinvestigativo. Ao se apropriar e modificar imagens da mídia, da publicidade e de outros artistas para confecção de suas instalações, ele questiona os conceitos de reprodução, originalidade e autoria no contexto da arte.

Alguns trabalhos do artista são interativos e convidam o espectador à participação direta e à manipulação da obra. Em Os novos desaparecidos, por exemplo, carimbos que ficam à disposição do público fazem alusão aos desaparecidos políticos que foram perseguidos e exterminados.

Exposição Viagens - Aquarelas de Cristina Ferrari
Exposição Reveolhar - Instalações de Edney Antunes

Museu de Arte de Goiânia (MAG) (Rua 01 nº 605, Bosque dos Buritis, Setor Oeste)
De 10 de setembro a 3 de  outubro
Terça a sexta - das 9h às 18h
Sábado e domingo - das 10h às 17h