domingo, 10 de outubro de 2010

Trilogia do Vinil Vol. 3


Vinil na era digital

 

Publicado em 21 de Setembro de 2010

 

DMRevista encerra hoje a série de três reportagens sobre os bolachões. Dessa vez, a análise é sobre o ressurgimento desta mídia, que segue a todo vapor com a reabertura da Polysom, única fábrica dos “discões” da América Latina


Moda vai, moda vem, desde seu surgimento em 1948 nos Estados Unidos, o vinil teve seus altos e baixos, mas nunca deixou de rodar nas vitrolas domésticas dos audiófilos ou nas pick ups dos DJs mais descolados. Para Daniel Vaughan, escritor do blog “Viva o vinil” da MTV brasuca, o bolachão, assim como as baratas, sobreviveria até a uma guerra nuclear. Segundo o repórter, o consumo de CDs caiu 17,5% enquanto que, no Brasil, foram consumidos mais de 1 milhão de vinis no ano passado. No início do ano, a única fábrica de discos de vinil da América Latina, a Polysom, voltou a funcionar para atender a demanda de artistas brasileiros e estrangeiros que ainda preferem lançar trabalhos neste formato.

Atualmente, não só quem grava escolhe o vinil, mas quem compra também mostra preferência pela bolacha. O estranho é que, muitas vezes, a pessoa que leva um vinil para casa sequer tem um toca-discos. Segundo pesquisa feita pelo instituto Neilsen Soundscan, 47% dos americanos que comprou vinil em 2009 não tem como ouvir os discos. De olho neste público que compra o vinil só para colecionar, a Sony Music lançou a coleção “Meu primeiro disco” que traz, com o LP remasterizado, um CD com as mesmas faixas acrescidas de outras faixas bônus. A coleção relança 30 artistas brasileiros do catálogo da gravadora e do acervo da RCA e da CBS como preço médio de R$ 100,00 cada.

Flávio Pinheiro, coordenador de marketing da Sony Music Brasil, diz que a ideia surgiu com a vontade de relançar os primeiros discos de importantes artistas que estavam fora de circulação. A gravadora acredita que a procura será grande tanto por parte de colecionadores quanto pela nova geração que não viveu a febre do vinil. Por isso, “a série ‘Meu Primeiro Disco’ traz um CD em formato de mini-vinil para aqueles que não têm toca-discos”, explica Pinheiro.

Vinil made in Brazil

A fábrica de discos de vinil Polysom nasceu na contra-mão da história. Ela foi fundada no município de Belford Roxo, no estado do Rio de Janeiro, no auge das vendas de CDs, em 1999. O responsável por esta odisséia foi o industriário Nilton José Rocha que já havia trabalhado na Polygram, na Continental e na Companhia Industrial de Dsicos (CID). A empresa de Rocha se aproveitou da falência de outras fábricas de vinil para adquirir seu maquinário. O industriário disse que “parece coisa de maluco se meter a produzir vinil quando todos os outros estavam abandonando o barco”, mas, para ele, a empreitada, “nasceu por causa do coração, não do tino comercial”.

A Polysom sobreviveu aos trancos e barrancos produzindo discos de vinil até 2007, quando finalmente foi obrigada a fechar. Antes de jogar a toalha, a fábrica tentou sobreviver produzindo também copos de plástico e cornetas, mas não conseguiu. Nos bons tempos, a Polysom chegou a fabricar até 150 mil LPs por mês, boa parte para a igreja evangélica, um de seus principais clientes no passado.

Em 2009, a gravadora Deckdisc comprou a Polysom. Desde então, foi administrada uma reforma geral no lugar. Máquinas antigas foram recuperadas, novo maquinário adquirido, pesquisas feitas na Europa e novos profissionais contratados. Tudo para oferecer uma qualidade equivalente à dos fabricantes gringos. Rafael Ramos, diretor artístico da Deckdisc enfatiza que a Polysom não é uma fábrica da gravadora e que as duas são empresas distintas. Dessa forma, a Polysom está pronta para atender qualquer pedido de artistas, gravadoras ou selos que queiram prensar seus vinis.

João Augusto, atual proprietário da Polysom, afirma que a capacidade inicial de produção é de 40 mil discos por mês, mas a fábrica está pronta para atender uma demanda mais alta. A Polysom vende o produto semi-acabado. Cabe às gravadoras colocar a capa embalar e vender. “No que diz respeito ao custo de fabricação do vinil aqui, estou tentando fazer com que o preço seja duas vezes e meia menor do que lá fora. Vou conseguir um produto mais barato. O problema do Brasil é que as taxas são muito altas”, reclama Augusto.

A primeira safra de discos saída da Polysom foram de artistas da gravadora Deckdisc. Pitty relançou seu álbum “Chiaroscuro” no formato LP assim como Fernanda Takai fez com o álbum “Onde brilhem os olhos seus”. Cachorro Grande e Nação Zumbi também prensaram seus álbuns “Cinema” e “Fome de tudo” na Polysom. Além de outros títulos em vinil como o compacto split das bandas Mukeka Di Rato e Dead Fish, a gravadora Deckdisc lançou este ano o selo “Clássicos em vinil”, cujos primeiro relançamento são os LPs “África Brasil” (1976) de Jorge Ben e “Nós vamos invadir sua praia” (1985) do Ultraje a Rigor. A Polysom anunciou em seu perfil no Twitter que, em breve, anunciará mais dois importantes títulos para a série Clássicos em Vinil. A única pista dada pela fábrica é que os lançamentos serão licenciados pela Sony.

Vitrola

Mais do que um belo item para colocar na prateleira, os LPs e compactos oferecem uma audição de primeira qualidade, de acordo com os amantes do vinil. Encontrar discos novos nos sites especializados e discos antigos em sebos é até fácil. O difícil é achar um toca-discos novo ou usado. A dica do técnico em eletrônica Aroldo Maks Vieira é comprar o aparelho de segunda mão em pregos. Mas fique atento: antes de levar o toca-discos para casa, teste o aparelho na loja. Se ele tiver algum defeito, Maks afirma que dá assistência em sua oficina, a Video In, localizada na rua 68, no Centro de Goiânia, que também compra e vende aparelhos novos e usados. O custo de manutenção fica a partir de R$ 40,00, preço cobrado  para uma simples limpeza. Defeitos mais graves nas engrenagens ou no cristal de leitura que fica acoplado na agulha demandam peças de reposição importadas e, portanto, acaba encarecendo a assistência. Na internet é possível encontrar várias marcas de pick ups e toca-discos. O destaque dica com a estrangeira Ion Audio que vende vitrolinhas modernas com entrada USB.

Esta foi a última parte da Trilogia do Vinil feita pelo DMRevista. No Volume Um da série foi retratada uma breve descrição da trajetória do vinil e analisado o recente vinyl-boom que atualmente impulsionou as vendas das bolachas. Loucos por vinil e especialistas falaram, no Volume Dois, por que preferem o vinil e quais as vantagens e desvantagens em relação aos formatos digitais. Na última parte da Trilogia, o Volume Três, o destaque foi para a reabertura da Polysom e os lançamentos nacionais de LPs e compactos.

 

Trilogia do Vinil Vol. 2


Loucos por vinil

 

Publicado em 20 de Setembro de 2010

 

Nesta segunda parte da série de três reportagens sobre os ‘bolachões’, o DMRevista conversa com pessoas que adoram ouvir esses discos e são viciadas no barulhinho que a agulha faz quando eles rodam



 “Era um ritual simples e gostoso. Você tirava o bichinho da capa, punha o prato na vitrola (ou pickup), pegava a pequena alavanca do braço, virava para o lado que queria (78 ou 33 e 45) e, com cuidado, deixava pousar no sulco do disco. Daí ficava curtindo o som gordo e amigo. E, às vezes, tinha uns estalinhos ou chiados. Igualzinho à vida.” Assim o escritor e jornalista Ivan Lessa descreveu o deleite de se ouvir um disco tocar. Neste pequeno trecho, o escritor demonstra que o prazer que o vinil oferece aos seus amantes está além da música que ele toca. O álbum completo (capa, disco e encarte) é um objeto de desejo e a dificuldade de se clonar um vinil o torna único. Gustavo Vazquez, produtor musical, arquiteto especializado em acústica e sócio do Rock Lab, estúdio que faz gravações analógicas e digitais, completa Lessa. “A grande vantagem é que ele (o vinil) é um ícone, um fetiche que desperta outro prazer além da audição.”

Na época do lançamento do CD, no início da década de 1990, a indústria fonográfica propagandeava que a bolachinha era muito mais durável e resistente a danos que o vinil. No entanto, a possibilidade de se copiar o CD ou de se converter o áudio em outros formatos e ouvir seus arquivos no PC, no telefone ou no MP3 player acabou tornando-o descartável. Aliás, muitos que antes compravam CDs escolhem hoje baixar álbuns inteiros, músicas separadas ou discografias completas pela internet. Alguns pagam por isso, mas a maioria não. Essa imaterialidade e consequente desvalorização da música digital fizeram com que os apreciadores do bom som procurassem algo palpável para ouvir. Assim o vinil, com suas grandes capas e encartes, voltou à cena como algo único e altamente valorizado. Seu status foi elevado à obra de arte.

Wil, vocalista da banda goiana de punk-rock Desastre, acredita que reproduzir seus trabalhos em vinil é uma forma de saber que faz sentido gravar músicas. Quatro dos sete álbuns da banda foram feitos neste formato. O último foi a versão em LP do CD Perigo Iminente, lançado em 2005 na Alemanha pela Assel Records. O músico diz que CD é uma coisa superficial e que qualquer um pode fazer. Para ele, existe uma magia que envolve o processo de fabricação do vinil, é uma arte que não é para qualquer um. “Lançar um vinil é uma forma de acreditar que o esforço valeu a pena.” A banda também possui trabalhos reproduzidos em fita-cassete e lançados no exterior.

O Soundscan, um instituto que faz levantamentos de vendas de música e vídeo nos Estados Unidos e no Canadá, publicou que 2,5 milhões de vinis foram vendidos nos EUA em 2009. Incrivelmente, quase metade desses compradores sequer tinha toca-discos. De olho neste público, a Sony Music colocou no mercado brasileiro a série Meu Primeiro Disco, que faz o relançamento de 30 títulos de diferentes artistas de seu elenco e do acervo da RCA e da CBS. Cada álbum, além de conter um LP fabricado nos EUA igual aos lançados anteriormente, mas com áudio remasterizado, traz também um CD com faixas extras e um projeto gráfico que lembra um minidisco de vinil. A primeira edição do projeto reúne os trabalhos de estreia de Chico Science & Nação Zumbi, Engenheiros do Hawaii, Inimigos do Rei, Vinícius Cantuária e João Bosco. Cada um por ruidosos R$ 100.

Barulhinho Bom

Os amantes do vinil afirmam que colecionam e ouvem discos não somente por causa das capas e dos encartes. Segundo esses audiófilos, os sons reproduzidos pelas agulhas são melhores que os do CD e nem se comparam aos do MP3. Os especialistas explicam que, para que o som digitalizado caiba no CD, o som natural é capturado em pequenas amostras ao longo do tempo de gravação, que são grudadas em sequência. O que se tem então é um som picotado, diferente da fluidez encontrada nas gravações analógicas. Além disso, os formatos digitais cortam os sons mais graves e os mais agudos para diminuir o tamanho do arquivo. Quanto mais leve a extensão, menor a amplitude sonora alcançada. Assim, uma música gravada e reproduzida analogicamente (e o vinil reproduz dessa forma) permite ouvir tudo que a banda gravou.

Tudo, inclusive ruídos indesejados. Mas até isso é uma vantagem para os entusiastas. Eles dizem que o som que ouvimos naturalmente é cheio de interferências, assim como o som que vem do vinil. Alguns gostam até do barulhinho que o atrito da agulha com a bolacha provoca. A cantora Vanessa da Mata é uma das que têm fetiche pelo chiado. “O som do CD é menos humano. Com o LP, parece que a música está sendo tocada na sua sala”, exalta ela.

Vinifilia hereditária

Fal, vocalista da banda goiana Rollin' Chamas, é outro que prefere músicas gravadas analogicamente e reproduzidas em vinil. Em 1989, o músico, na época baterista da banda de hardcore HC-137, gravou o álbum Nas coxas, que foi lançado como um LP split em parceria com a banda Morte Lenta. Segundo Fal, este foi o primeiro vinil lançado por bandas de rock goianas. Hoje o músico possui uma coleção pequena (apenas 50 discos), mas diz que costuma ouvir sempre. Ele e o filho de dois anos. Entre álbuns de David Bowie, Black Sabbath e Bee Gees, destacam-se os vinis coloridos da série Carroussell, que traz historinhas e cantigas infantis. Quando quer ouvi-los, o menino Rafael pede ao pai: “Disco, disco.” Obediente, Fal coloca o vinil no toca-discos e o aprecia com o filho. Alguns álbuns da Rainha dos Baixinhos também estão na coleção.

Amanhã, na última parte da Trilogia do Vinil, conheça os lançamentos e relançamentos da industria fonográfica e saiba mais sobre a reabertura da brasileira Polysom: a única fábrica de vinil da América Latina.

 

Trilogia do Vinil Vol. 1


A volta dos que não foram 

 

Publicado em 19 de Setembro de 2010

 

DMRevista traz, a partir de hoje, uma série de três reportagens com análise da trajetória dos bolachões (apelido carinhoso) na indústria fonográfica e o recente vinyl-boom no mercado musical mundial



Enquanto o CD agoniza nas prateleiras das lojas e o download de músicas cresce ainda mais na internet, o vinil renasce da tumba com uma força quase sobrenatural. Na verdade, o bolachão (apelido carinhoso) nem chegou a morrer. Durante a época de ouro do CD que anunciou o fim do vinil no início dos anos 90 e mesmo depois do monstro no armário da indústria fonográfica mundial Napster inventar a pirataria digital em 1999, os discos continuaram a ser fabricados em menor escala em diversas partes do mundo para saciar o desejo dos audiófilos. De lá para cá, a prensagem e a venda de LPs, EPs e Singles (formatos de vinil mais vendidos atualmente) vêm crescendo gradualmente.

De acordo com a Soundscan, empresa que faz levantamentos de vendas de música e vídeo, só nos EUA foram vendidas 2,5 milhões de unidades no ano passado. Isto é apenas um décimo das vendas totais do álbum “Thriller” de Michael Jackson, lançado em 1982, mas, mesmo assim, o número não deixa de impressionar. Enquanto isso, as vendas de CDs continua a cair em todo o mundo.

Segundo o cantor, compositor e colecionador de vinis, Ed Motta, os grandes responsáveis pela volta do vinil foram os DJs não só no Brasil, mas, principalmente, no exterior. Grande parte desses profissionais prefere a bolacha para animar as pistas de dança, deixando de lado os formatos digitais. Tanto é que Madonna, a rainha-mãe do pop, e a usurpadora do trono, Lady Gaga, lançam, de olho nos fãs, álbuns inteiros em vinil e versões remix visando os DJs. O destaque é para o álbum “The Fame Monster” na versão picture, que traz impressas no próprio disco uma foto de uma Lady loira no lado A e outra Gaga morena no lado B.

Ao mesmo tempo que o vinil é uma preferência no mundo pop, no hip hop o formato é lei. DJ Hum, rapper, produtor musical e fundador do grupo de rap Motirô, diz que “se não lançar hip hop em vinil, comercialmente não funciona. O bolachão traz credibilidade, demonstra que o DJ tem mais conhecimento cultural.” Para se ter uma ideia, “Senhorita”, o compacto (formato da bolacha em 7 polegadas) do grupo Motirô, vendeu mais de 1.500 cópias. O hollywoodiano DJ Cobra não é do hip hop, mas concorda com Hum: “Com o vinil, o DJ tem a oportunidade de demostrar suas habilidades e técnicas de mixagens com muito mais intensidade do que num CD.” Cobra ainda afirma que as pick ups (nome chique que os DJs dão às vitrolas) reproduzem o áudio com maior precisão que os toca-CDs e, por isso, contagiam muito mais a multidão.

Origens do groove

Os discos de vinil não foram os primeiros a reproduzir sons por meio de agulhas leitoras e objetos giratórios. Thomas Alva Edson (aquele da lâmpada) inventou o fonógrafo, um aparelho que possuía uma agulha e um cilindro destinados a registrar e reproduzir áudio em 1877. Este cilindro que girava em uma velocidade constante era envolto por um papel que a agulha arranhava durante a gravação. Na reprodução, a agulha apenas passava pelos sulcos, também chamados de grooves, produzindo diferentes vibrações que, amplificadas, reproduzia o áudio gravado.

No ano de 1887, o alemão Emil Berliner criou seu Gramophone, aparelho que começou a utilizar a tecnologia dos sulcos em disco de zinco revestido com cera. O disco de Berliner tinha qualidade similar à do cilindro de Edson. A principal vantagem comercial do disco era que este poderia ser mais facilmente produzido em massa e ocupava menos espaço nas coleções dos compradores. Dez anos mais tarde, Berliner fundou a canadense Gramophone Company, empresa que, durante a grande depressão americana, se fundiu com a americana Columbia Graphophone Company para formar a multinacional Electric and Musical Industries, conhecida hoje como a poderosa EMI.

Os formatos e velocidades dos discos variavam bastante no fim do século XIX e início do século XX devido aos diferentes métodos e técnicas de gravação. Cada fábrica fazia o que julgava melhor. Havia discos de 76, 79, 80 rotações por minuto (RPM) em tamanhos que iam de 15 a 30 cm. Finalmente, na metade da década de 10, a Victor Talking Machine Company, fabricante das Victrolas, fonógrafos que foram sucesso de vendas por muito tempo, estabeleceu um padrão de discos de 25 cm que rodavam a 78 RPM.

Mais tarde, a companhia de Victor foi incorporada à Radio Corporation of America (RCA). Esta sigla é atualmente uma marca que usada pela Sony Music Entertainment. Uma curiosidade: em 1927, a Victor estendeu seus braços para o Japão e fundou a Victor Company of Japan (JVC). Durante a Segunda Guerra, a subsidiária rompeu seus laços com a matriz, mas continua usando até hoje o nome para um selo musical e como marca de equipamentos eletrônicos.

Corra que o LP vem aí 33 1/3

O auge do 78 rotações se deu nas décadas de 40 e 50, quando o uso desses discos de goma-laca para audições particulares se tornou um costume no mundo inteiro. Em 1948, o disco de vinil surgiu no laboratório da Columbia Broadcasting System (CBS), nos Estados Unidos, para derrubar de vez os antigos bolachões. Ele foi revolucionário devido a inúmeras inovações tecnológicas. A utilização do plástico PVC, o resistente vinil, substituiu a pesada e frágil goma-laca. O desenvolvimento da gravação microssulcos ou microgrooves permitiu uma “resolução” de áudio quase três vezes maior que a dos discos de 78 rotações. Além disso, ao diminuir a velocidade para 33 e 1/3 RPM, aumentou-se os minutos que um disco comporta. O termo escolhido para designar este disco de maior duração foi long-playing, mas você pode chamá-lo de LP. Mais tarde a RCA desenvolveu um disco de 45 RPM para comercializar obras com um número menor de músicas.

O surgimento do vinil estéreo permitiu a gravação do áudio em dois diferentes canais, simulando o som ao vivo que é difuso, e impulsionou de vez as bandas de rock n' roll que surgiam na Inglaterra, na década de 1960. Quem ouvia vinil estéreo tinha a impressão de que os músicos tocavam na sala de estar. O disco se tornou uma mercadoria desejada por muitos e acessível a quase todos. A música saiu definitivamente das salas de concerto, das igrejas, dos teatros de  ópera e incorporou no toca-discos de cada um. Assim, qualquer pessoa poderia apreciar, em sua sala de estar, Carmem de Bizet ou Help dos Beatles usando apenas pijama se quisesse. Ou, se o ouvinte preferisse e a família permitisse, ouvir pelado mesmo.

Nos próximos dois volumes da Trilogia do Vinil do DMRevista, veja o que os amadores e especialistas falam sobre as bolachas, a reabertura da Polysom, a única fábrica de vinil da América Latina, cuja sede fica no Brasil, dicas, lançamentos e revenda de vinis e onde encontrar e reformar toca-discos.

Dicas
Bolachas para todos os gostos
LP (long-playing)
12 polegadas - 33 1/3 RPM
20 minutos de áudio por lado
Maxi-single
12 polegadas 45 RPM
12 minutos de áudio por lado
EP (extended play)
7 polegadas - 33 1/3 RPM
8 minutos de áudio por lado
Single ou compacto
7 polegadas - 45 RPM
4 minutos de áudio por lado

 

Recital teatral hoje na sede do Diário da Manhã

Publicado em 15 de Setembro de 2010


Clarice Dias interpreta no espaço paisagístico do jornal textos e poesias de Cora Coralina, García Lorca e Fábio Nasser



A atriz Clarice Dias apresenta hoje o recital teatral no espaço paisagístico do Diário da Manhã, às 18 horas. O violonista Arnaldo Freire acompanha ao vivo a interpretação de textos e poesias feita pela atriz, que ainda brinda os espectadores com uma mostra de dança e arte flamenca.

A apresentação faz parte da retrospectiva cultural Uma Gota de Mim, que pretende mostrar, até dezembro, pequenas gotas do extenso trabalho de Clarice em três diferentes áreas: no cinema, no teatro e na literatura. Uma mostra audiovisual, exposição fotográfica e lançamento de livros fazem parte do evento cuja assistência geral é de Luana Dias do Vale, filha da atriz Clarice.
A primeira parte do recital de hoje homenageia García Lorca com o texto El Gitano Andaluz, inspirado no dramaturgo e poeta Jorge Guilem.

Em O Argonauta dos Sonhos, inspirado no escritor e jornalista Batista Custódio, o homenageado é o jornalista Fábio Nasser, filho de Custódio. Já a poetisa Cora Coralina é lembrada em Fedra e Andaluza, inspirado no livro Cora Coralina: Mito de Aninha, do filósofo e escritor Saturnino Pesquero Ramon. Clarice Dias, em seu recital, ainda faz referência a outros escritores, como Brecht, Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Vandré, Castro Alves e William  Shakespeare.

A inspiração da artista vem tanto da literatura brasileira e universal quanto das notícias que circulam pela mídia. Clarice compara, em seu trabalho, a Tragédia no lar, de Castro Alves, com o abandono com o qual muitos sofrem hoje no Brasil: “É o verde-amarelo mesclado com sangue de crianças e velhos massacrados”, explica a artista Clarice Dias. A notícia de que um fazendeiro mantinha um empregado como escravo e o alimentava com lavagem para porcos é um outro exemplo de matéria de jornal que sensibiliza Clarice Dias e nutre o seu desespero. Mas, para ela, o sonho, como subversão da realidade, pode ser uma válvula de escape e um refúgio para a esperança.

Uma Gota de Mim - Recital Teatral
Artista: Clarice Dias
Hoje, às 18h
Diário da Manhã - Av. Anhanguera, 2.833,
Setor Leste Universitário
Entrada franca

Cora Coralina, García Lorca e Fábio Nasser em recital


Publicado em 14 de Setembro de 2010

Dias apresenta amanhã o Recital Teatral no espaço paisagístico do Diário da Manhã, às 18 horas. O violonista Arnaldo Freire acompanha ao vivo a interpretação de textos e poesias feita pela atriz, que ainda brinda os espectadores com uma mostra de dança e arte flamenca. A apresentação faz parte da retrospectiva cultural Uma Gota de Mim, que pretende mostrar até dezembro pequenas gotas do extenso trabalho de Clarice em três diferentes áreas: no cinema, no teatro e na literatura. Uma mostra audiovisual, exposição fotográfica e lançamento de livros fazem parte do evento cuja assistência geral é de Luana Dias do Vale, filha de Clarice.

A primeira parte do recital homenageia García Lorca com o texto “El Gitano Andaluz”, inspirado no dramaturgo e poeta Jorge Guilem. Em “O Argonauta dos Sonhos”, inspirado no escritor e jornalista Batista Custódio, o homenageado é o jornalista Fábio Nasser, filho de Custódio. Já a poetisa Cora Coralina é lembrada em “Fedra e Andaluza”, inspirado no livro “Cora Coralina: Mito de Aninha” do filósofo e escritor Saturnino Pesquero Ramon. Clarice Dias, em seu recital, ainda faz referência a outros escritores como Brecht, Pessoa, Drumond, Vandré e Shakespeare.

Uma Gota de Mim - Recital Teatral
Amanhã, às 18H
Diário da Manhã - Av. Anhanguera, 2833, Setor Leste Universitário
Entrada Franca

Cor de jambo sem sol

Publicado em 12 de Setembro de 2010

 

Maquiagem bronzeadora é ótima alternativa para ganhar uma corzinha sem expor a pele aos raios ultravioletas

 

 

Nem saímos oficialmente do inverno e o calor já chegou para ficar. A maquiagem bronzeadora é uma alternativa para quem não pode ou não gosta de ficar horas torrando no sol do Cerrado para ganhar uma cor com a cara do verão. Enquanto os autobronzeadores reagem na pele mudando sua cor durante um bom tempo, a maquiagem bronzeadora serve para dar um aspecto bronzeado temporário. Cansou da cara de “nega maluca”? Basta um demaquilante para voltar a ter pele de porcelana. Exageros à parte, é bom lembrar que esse tipo de cosmético não faz milagre e que, quanto mais parecer natural, mais bonito vai ficar.

Os cosméticos à disposição são muitos: pós, bases, iluminadores, loções, mousses, gel, blushes, sombras, batons, tudo para dar um up na sua make. Entre as marcas nacionais, a Avon lançou a linha Summer Bronze, com pó, gloss e quarteto de sombras cintilantes e aveludadas para acompanhar as famosas Pérolas de Efeito Bronzeado para o Rosto e Corpo. Antes de emprestar seu rosto para estampar as caixas de tintura para cabelo da marca, a branquela Ana Paula Arósio exibia um look total bronze para promover as pérolas bronzeadoras que podem ser usadas como pó ou blush. Os preços desses produtos variam de R$ 9,99 a 29,99.

Já a Natura tem o Diversa Blush Extremo Conforto Candeia Bronze Iluminador. A promessa é uma textura aveludada, efeito bronzeado e uma pele dourada em qualquer período do ano por um preço um pouco mais salgado: R$ 65,49 é o preço divulgado no site. Já a empresa americana Nyx oferece uma cor tropical com o Bronzer Powder, que pode ser usado como tonalizador, iluminador ou blush no rosto ou no corpo por apimentados R$ 129.

Segundo Dennis Proença, maquiador oficial da marca de cosméticos Dermage, não é preciso comprar maquiagens bronzeadoras para ficar com cara de verão. Para uma corzinha mais natural e homogênea, basta usar uma base que tenha um tom acima do da sua pele. Mas, se o objetivo é surpreender, capriche nos bronzants, pós com partículas iluminadoras e blushes terracota.

Cuidado para não errar

O efeito bronzeado pode ser simulado em qualquer tipo de pele, mas cada tom usa técnicas diferentes. Mais ou menos bronzeado, não importa, o ideal é que a maquiagem pareça natural. “O chic é que pensem que você realmente está bronzeada”, lembra a beauty artist Penélope Boelchi, da agência de maquiadores e fotógrafos Lu Molinos & Agenciados. E ela dá uma dica. “Compre uma base com tonalidade próxima à do ombro, assim corpo e rosto ficarão com cor semelhante.”

Ao usar um pó bronzeador, passe-o nas regiões que costumam ficar mais queimadas como testa, queixo, nariz e bochechas. Lembre-se do colo, se a roupa o deixar à mostra, e esqueça o pescoço, pois ele não fica bronzeado com facilidade. Também aplique o produto ao redor dos lábios, pois essa região costuma se bronzear  fácil após um dia de sol. Sempre que ficar carregado, use os dedos para retirar o excesso. Usar um pincel na aplicação em movimentos circulares e aplicar o produto aos poucos ajuda a dar um efeito natural.

O uso do blush com o pó bronzeador é um ponto polêmico. Os adeptos de um visual mais natural preferem deixar o blush de lado: para eles, basta um pó bem distribuído pelo rosto. Já Dennis é mais aberto quanto ao seu uso. Ele afirma que quem tem a pele clara e não costuma se bronzear deve evitar os pós bronzeadores e substituí-los por um blush rosado em doses estratégicas e até recomenda o uso dos dois produtos. “Aplicar levemente um blush rosado nas maçãs do rosto sobre o pó bronzeador é uma ótima pedida para deixar o look mais natural e fica lindo”, arrisca o maquiador.

Olhos vivos

Depois de bronzear a pele com o pincel, é hora de pensar nos complementos. Usar sombras com tonalidades próximas ao marrom é uma boa pedida. Ouro, verde, azul claro e branco são boas escolhas. Esfumaçar os olhos com azul-marinho, verde, cinza, cobre ou mesmo preto fica muito bom se feito de forma suave, pois verão não combina com maquiagem pesada. Bocas com batons puxados para o laranja, cor de boca ou gloss são indicados por Dennis Proença. Penélope Beolchi prefere lábios realçados com rosa-chiclete, rosa escuro, laranja e tons de bronze e dourado. Segundo ela, o gloss continua em alta.

Para as peles brancas, os tons mais recomendados são lilás, dourado, marrom e pêssego. As morenas ficam bem com tons puxados para o marrom e dourado. Já para as negras, vale escolher um marrom mais cintilante, cinza, prata ou dourado e evitar os iluminadores perolados. Às mulheres orientais ou que têm pele em tom amarelado, recomenda-se o uso de blushes e pós em tons avermelhados e ter cuidado com os pigmentos amarelados. Para finalizar, uma última dica: para sair deslumbrante na foto, evite excessos de produtos refletores na testa e no queixo.

No tom certo

Avon – Pérolas de Efeito Bronzeado para o Rosto e Corpo
R$ 29,99
Avon – Summer Bronze Pó Efeito Bronzeador para o rosto
R$ 24,99
Avon – Summer Bronze Quarteto de Sombras Cintilantes / Aveludadas
R$ 27,99
Avon – Summer Bronze Gloss Labial Extraluminoso
R$ 9,99
Natura – Diversa Blush Extremo Conforto Candeia Bronze Iluminador
R$ 65,49 no site, frete incluso
Nyx – Bronze Powder
R$129,00

Circo é palco de música de roda

Publicado em 10 de Setembro de 2010

 

No Dia Nacional do Cerrado, cantora Renata Rosa é atração principal do Projeto Cantação do Lahetô

 

 

O Circo Lahetô recebe, amanhã, no Dia Nacional do Cerrado, a cantora, rabequista, compositora e atriz Renata Rosa como atração principal da segunda edição do Projeto Cantação. A abertura fica por conta da banda goiana Passarinhos do Cerrado e o encerramento está nas mãos e pick-ups do DJ Macambira, também de Goiás. O evento ainda conta com exposição de instrumentos artesanais da Associação de Capoeira Angola do Estado e com a exposição de artesanato da Feira do Cerrado.

O Projeto Cantação é realizado pela Balaio Produções Culturais de Goiânia. As edições são divididas em segmentos musicais e contam com shows, discotecagem e intervenções artísticas. A 1ª edição, realizada em julho, também no circo Lahetô, foi dedicada ao forró. Amanhã, o destaque é para o coco, um ritmo tradicional do nordeste que é cantado com instrumentos de percussão e dançado batendo-se os pés. As edições de outubro e novembro serão do samba e do bloco de percussão, respectivamente.

O principal objetivo é abrir espaço para os criadores e fazedores de música popular brasileira de diversos segmentos. A ideia é promover o intercâmbio entre grupos goianos e convidados de outros Estados e ainda proporcionar a troca de saberes e culturas entre os artistas e o público. A produção dá prioridade aos grupos menores.

Mata e Cerrado

Renata Rosa nasceu em São Paulo, mas desde 1998 trabalha com músicos do interior e da capital de Pernambuco. Mergulhadas no contexto poético musical da Zona da Mata norte-pernambucana e do Baixo do São Francisco alagoano, as composições da cantora se inspiram em diversos gêneros e movimentos musicais brasileiros. Samba de coco, cantos caboclos do catolicismo popular, rojões da roça, brincadeiras de maracatu-rural e de cavalo-marinho estão entre os ritmos cantados, tocados e dançados por Renata.

Tais ritmos podem ser poucos conhecidos fora das rodas de dança do nordeste, mas o trabalho de Renata Rosa alcança fama internacional. Seu CD de 2003, “Zunido da Mata”, recebeu o prêmio Choc de L’anneé de melhor disco do ano, concedido pelo jornal francês Le Monde, um título, até então, inédito para música brasileira. Em 2005, o show foi considerado um dos melhores da temporada européia, o que lhe rendeu um especial para a rede BBC inglesa. Manto dos sonhos, o mais novo trabalho da compositora, lhe o título de melhor cantora regional no Prêmio de Música Brasileira, em 2009.

O canto do grupo musical Passarinhos do Cerrado também entoa a cultura popular brasileira. O grupo envereda pelo universo das raízes nacionais, compondo poesias, melodias e arranjos que misturam o ritmo nordestino, coco, com manifestações artísticas goianas como a folia de reis, a congada e a catira. Os Passarinhos têm dois formatos de apresentação: um show para o palco e uma performance acústica, na qual o público é convidado a interagir com o grupo. Neste espetáculo, os integrantes descem do palco e dançam com os espectadores, ensinando alguns passos do coco para que eles se aproximem e sintam-se mais íntimos da música e do ritmo.

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A Edição Coco do Projeto Cantação integra o I Fórum em Defesa do Parque da Criança, que oferece diversas atrações e debates no amanhã e no domingo. As discussões estão abertas ao público e são intercaladas por oficinas de arte e de reaproveitamento de materiais, apresentações musicais e performances teatrais e circenses. Vários políticos, empresários e produtores culturais são convidados.

Segundo Anna Morais, uma das organizadoras do movimento, o fórum visa a revitalização do Parque da Criança e sua transformação em patrimônio material de Cultura do Estado. Fazem parte do parque o Circo Lahetô, a Feira do Cerrado, a Associação Atletas de Jesus e o Centro integrado Médico Psicopedagógico (Cimp). O Parque da Criança foi criado em 1989 e hoje está ameaçado de extinção, pois se encontra em uma área nobre e nem sempre é bem visto por seus vizinhos. Anna acredita que isso ocorre porque o complexo oferece atividades para toda a sociedade, independente da classe social ou econômica.